As negociações sobre a reposição salarial RJ dos servidores do Poder Executivo serão retomadas na próxima quarta-feira (30) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A informação foi confirmada por fontes do legislativo após um período de oito meses de suspensão das discussões.
A mesa de negociação havia sido reaberta no início de 2025, mas desde o primeiro encontro, em março, não houve avanços significativos. Durante esse intervalo, a Alerj realizou estudos sobre a situação fiscal do estado e possíveis alternativas para viabilizar o pagamento das parcelas pendentes da recomposição salarial.
A principal reivindicação dos servidores é o pagamento da segunda e terceira parcelas do reajuste referente ao período de setembro de 2017 a dezembro de 2021. Essas parcelas, que somam 13% de aumento, deveriam ter sido quitadas em 2023, mas foram adiadas devido a dificuldades orçamentárias do governo estadual.
Enquanto categorias de outros poderes já receberam suas recomposições, os servidores do Executivo seguem aguardando uma solução.
Perdas salariais acumuladas superam 50%
O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL), presidente da Comissão de Servidores Públicos da Alerj, destacou que a desvalorização do funcionalismo público impacta diretamente a qualidade dos serviços prestados à população. Segundo ele, as perdas salariais acumuladas desde 2014 ultrapassam 50%, sendo 20% apenas nos últimos quatro anos.
“A falta de reposição salarial desestimula os servidores e compromete setores essenciais, como saúde, educação e segurança”, afirmou Serafini.
Comparativo nacional e impacto fiscal
A situação do Rio de Janeiro não é isolada. Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul também enfrentam dificuldades para honrar a reposição salarial de seus servidores, adotando medidas parceladas ou adiamentos semelhantes. Já estados como São Paulo e Paraná conseguiram manter reajustes mais regulares, devido a uma situação fiscal mais equilibrada.
No caso do Rio, especialistas apontam que o pagamento das parcelas pendentes pode gerar impacto de cerca de R$ 2 bilhões anuais nas contas públicas, exigindo ajustes no orçamento para não comprometer o teto de gastos e as regras do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), ao qual o estado está submetido.
Apesar do desafio fiscal, sindicatos defendem que o reajuste é um direito garantido por lei e fundamental para recompor o poder de compra dos servidores, que enfrentam anos de congelamento salarial em meio à alta da inflação.
Próximos passos da negociação
Para tentar avançar nas tratativas, foi criada uma comissão composta por deputados, representantes do governo estadual e sindicatos dos servidores. A coordenação está a cargo do presidente da Alerj, deputado Bacellar (PL), aliado do Palácio Guanabara.
A expectativa é que, com a retomada das conversas, haja uma definição sobre prazos e condições para o pagamento das parcelas atrasadas, além de uma sinalização sobre futuras políticas de correção salarial.
A retomada das negociações sobre a reposição salarial RJ é vista como decisiva para destravar uma pauta que afeta milhares de servidores e pode influenciar diretamente a estabilidade dos serviços públicos no estado.














