A reabertura do Shopping Tijuca foi confirmada para esta sexta-feira (16), após o centro comercial permanecer fechado por mais de dez dias em decorrência de um incêndio no subsolo que resultou na morte de dois funcionários. A informação foi divulgada pelo subprefeito Higor Gomes, após nova vistoria realizada nesta quarta-feira (14), que liberou o espaço para funcionamento a partir das 10h.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. Nesta terça-feira, foi ouvida a superintendente do Shopping Tijuca, Adriana Santilhana. Outros depoimentos, incluindo os de brigadistas que atuaram no primeiro combate ao fogo antes da chegada do Corpo de Bombeiros, foram remarcados e devem ocorrer nos próximos dias.
Brigadistas civis afirmaram que o combate às chamas foi dificultado por uma falha no sistema de detecção de fumaça da loja onde o incêndio começou. Segundo os relatos, o alarme não teria sido acionado corretamente, o que atrasou a resposta inicial. Uma brigadista e um supervisor morreram durante a tentativa de conter o fogo.
“No dia em que ocorreu o incêndio, não funcionou o equipamento de alarme da loja, que se comunica com a área de segurança do shopping. A CM Couto foi acionada para tentar combater o incêndio e infelizmente uma honrada bombeira civil faleceu”, afirmou Alexandre Lopes, advogado da CM Couto, empresa terceirizada responsável pela brigada, em depoimento ao portal G1.
De acordo com o advogado, quando a brigada chegou ao local, o incêndio já estava em estágio avançado, inviabilizando o uso de extintores.
“Tiveram que acionar as mangueiras, e isso também leva mais tempo ainda pra combater. Se você chega com um extintor, é mais rápido. Se você vai com a mangueira, é mais devagar. Encontraram um cenário muito adverso já com muita fumaça”, explicou, em depoimento ao Portal G1.
O diretor de operações da brigada, Jorge Benedito de Oliveira, declarou à polícia que a brigadista Emellyn, funcionária da CM Couto, pode ter morrido por asfixia após retirar a máscara de oxigênio quando o equipamento se esgotou. O corpo dela só foi localizado horas depois, devido à grande quantidade de fumaça no subsolo.
As investigações também buscam esclarecer o tempo de acionamento do Corpo de Bombeiros. Segundo a defesa da empresa terceirizada, a responsabilidade pela chamada caberia à administração do shopping. Já o centro comercial informou que realizou três ligações no dia do incêndio, entre 18h12 e 18h22, conforme registros internos.
Em nota, o Shopping Tijuca afirmou que realizou todas as adequações exigidas pelo Corpo de Bombeiros e encaminhou à Rio Luz os documentos que comprovam o funcionamento dos sistemas de ar-condicionado e exaustão. O Corpo de Bombeiros autorizou formalmente a reabertura, e uma vistoria complementar foi feita pela Rio Luz.
A Polícia Civil também analisa imagens internas do shopping que registraram o incêndio, ocorrido no dia 2 de janeiro, que deixou ainda três pessoas feridas. Os agentes da 19ª DP (Tijuca) apuram a dinâmica da evacuação do prédio e pretendem ouvir testemunhas que estavam no local no momento da tragédia.
O espaço ficou fechado por dez dias após o incêndio atingir o subsolo do centro comercial. As investigações seguem em andamento para identificar falhas, responsabilidades e eventuais omissões relacionadas ao episódio.














