Profissionais da saúde do Rio entram em paralisação e levam impasse ao TRT

Profissionais da saúde do Rio entram em paralisação

A saúde do Rio entrou em paralisação na manhã desta segunda-feira, quando médicos, enfermeiros e outros profissionais da Atenção Primária realizaram um ato em frente ao Super Centro Carioca de Especialidades, em Benfica, na Zona Norte. A mobilização marcou o início da paralisação das categorias médica e da enfermagem na rede municipal.

Os profissionais reivindicam o cumprimento de acordos firmados com a Prefeitura, além de medidas para enfrentar a crise na Atenção Primária, considerada a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Segundo os trabalhadores, a situação afeta as condições de trabalho e compromete a qualidade do atendimento prestado à população.

O protesto reuniu equipes de Clínicas da Família de diferentes regiões e provocou fluxo em meia pista na Rua General Gustavo Cordeiro de Farias. Representantes do movimento afirmaram que relatos de assédio e ameaças a profissionais, intensificados desde o anúncio da paralisação, têm inibido uma adesão ainda maior.

Nesta segunda-feira também começou a paralisação dos enfermeiros, prevista para dois dias, com manutenção de 70% do efetivo. Já os médicos iniciaram uma paralisação de nove dias, mantendo 50% do contingente até 11 de fevereiro. Os sindicatos ressaltam que o movimento não se estende ao período do carnaval.

Ao longo do dia, trabalhadores relataram redução no movimento das unidades de saúde e manifestações de apoio de parte da população. As entidades sindicais informaram ainda que novas denúncias de assédio e retaliações foram registradas e que os casos serão tratados no âmbito do dissídio coletivo.

Também nesta manhã, ocorreu uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região para discutir a paralisação. Participaram representantes dos sindicatos, de organizações sociais que administram unidades, da Prefeitura, do Ministério Público do Trabalho e da Secretaria Municipal de Saúde.

Na audiência, os sindicatos informaram que médicos estão sem reajuste desde 2019 e que enfermeiros não recebem recomposição há cerca de nove anos. Também relataram dificuldades de negociação e problemas no pagamento da gratificação contratual conhecida como Variável 3, além de demissões de trabalhadores que aderiram ao movimento.

A Prefeitura afirmou que não pode firmar acordo coletivo e atribuiu às organizações sociais a negociação. As OS’s disseram estar abertas ao diálogo, mas condicionaram avanços a repasses e limites contratuais. O Município alegou restrições orçamentárias e informou a intenção de pagar a Variável 3 no primeiro semestre de 2026.

A Presidência do TRT destacou que a greve é um direito constitucional, inclusive em serviços essenciais, e que não pode haver punição aos trabalhadores. Foi definida uma reunião entre todas as partes para o dia 10 de fevereiro, na Prefeitura do Rio, para tratar do pagamento da gratificação e de medidas para reduzir conflitos. Até lá, ficou acordado que não haverá demissões nem desconto dos dias parados.

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