Professora de 26 anos morre após duas altas em hospital de Irajá

A morte da professora Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, na última sexta-feira (28), chocou moradores de Irajá e Duque de Caxias. Ela faleceu após receber duas altas seguidas no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, na Zona Norte.

Giulia era professora de História e trabalhava em uma rede de ensino privada. Segundo os relatos de seus familiares, a jovem começou a passar mal ainda em casa, queixando-se de um aperto muito forte na região do peito e de uma severa dificuldade para respirar. Diante da gravidade aparente dos sintomas, a família decidiu buscar socorro médico imediato na rede pública de saúde da cidade do Rio de Janeiro.

O que aconteceu com a professora Giulia em Irajá

De acordo com os parentes da jovem, a primeira ida ao Hospital Municipal Francisco da Silva Telles ocorreu no início da manhã de sexta-feira. A irmã de Giulia, Fabiana Bezerra, relatou que a equipe médica de plantão informou que os sintomas apresentados pela professora eram decorrentes de uma crise de ansiedade. Após ser medicada para aliviar o mal-estar, a jovem recebeu alta e foi orientada a retornar para a sua residência.

No entanto, as dores e a falta de ar persistiram. Giulia precisou retornar à mesma unidade de saúde de Irajá pouco tempo depois de ter sido liberada. Novamente, ela passou por avaliação, recebeu atendimento e acabou sendo liberada pela segunda vez sob a justificativa de que seus sinais vitais estavam normais. Ao retornar para casa mais uma vez, a jovem acabou desmaiando. Desesperada, a família a socorreu e a levou para o Hospital Municipal Moacyr Rodrigues do Carmo, localizado no município vizinho de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na unidade de Caxias, a professora sofreu uma parada cardíaca irreversível e faleceu.

O corpo da professora de História foi sepultado no domingo (30), sob forte clima de comoção, no Cemitério Memorial do Rio, que fica localizado na Avenida Washington Luiz, no bairro de Cordovil, também na Zona Norte da capital fluminense. Amigos, alunos e familiares compareceram para prestar as últimas homenagens à jovem.

O que já se sabe sobre os atendimentos?

A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles emitiu uma nota oficial detalhando o histórico de atendimento de Giulia. Segundo o boletim da unidade, a paciente deu entrada pela primeira vez na emergência às 8h32 de sexta-feira com queixa de dor torácica. O hospital afirma que ela passou imediatamente pelo protocolo médico para identificação de eventos cardíacos agudos.

Os exames clínicos apontaram que a frequência respiratória, a frequência cardíaca, a temperatura, a pressão arterial e a oxigenação no sangue da paciente estavam normais. Além disso, o eletrocardiograma realizado não apresentou nenhuma alteração digna de nota. Após receber remédios para os sintomas, ela foi liberada às 11h14 com orientações.

Ainda de acordo com a nota da prefeitura, Giulia retornou ao hospital às 11h14 com as mesmas queixas. A equipe médica repetiu os testes anteriores e solicitou exames complementares, como um hemograma completo e uma radiografia do tórax. A direção do hospital alega que os resultados desses novos exames também não mostraram alterações. Giulia permaneceu sob observação até as 13h19, quando foi reavaliada pelo médico de plantão e recebeu uma nova alta hospitalar.

Quem responde por isso?

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que o caso está sendo formalmente investigado pela 59ª DP (Duque de Caxias), delegacia da área onde ocorreu o óbito de Giulia. Os investigadores emitiram guias para exames complementares e estão realizando diligências para colher depoimentos de parentes, testemunhas e dos profissionais de saúde que realizaram os atendimentos no hospital de Irajá. O objetivo do inquérito é esclarecer as circunstâncias exatas da morte e apurar se houve negligência, imperícia ou erro médico durante as duas passagens da jovem pela unidade de saúde da Zona Norte.

Como denunciar casos de mau atendimento na saúde?

Moradores do Rio de Janeiro que passarem por situações de atendimento médico inadequado ou suspeita de negligência em hospitais públicos ou privados podem acionar os canais de fiscalização oficiais do estado. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) recebe denúncias formais através de sua sede na Praia de Botafogo, 228, ou pelo portal oficial da instituição.

Além disso, a Ouvidoria do SUS e a Ouvidoria Geral da Prefeitura do Rio de Janeiro atendem reclamações sobre o serviço municipal de saúde pelo telefone Central 1746. Para casos de denúncia anônima sobre condutas irregulares ou crimes em ambiente hospitalar, o cidadão pode ligar para o Disque Denúncia do Rio de Janeiro através do número de telefone 2253-1177, que funciona 24 horas por dia de forma totalmente segura.

O que fazer se você suspeita de negligência médica?

Caso o paciente ou seus familiares suspeitem de erro ou omissão de socorro em qualquer unidade de saúde, o primeiro passo recomendado por especialistas é solicitar imediatamente a cópia integral do prontuário médico do paciente no setor de arquivo ou na secretaria do hospital. Este documento é de direito garantido por lei e descreve todos os procedimentos, horários e medicações administradas durante a internação.

Com o prontuário em mãos, a família deve procurar a delegacia de polícia civil mais próxima para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.). O registro também pode ser iniciado pela internet, através do portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Para obter orientação jurídica gratuita sobre como proceder com ações de reparação ou representação penal, o cidadão pode procurar o núcleo de saúde da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ou ligar para o Alô Defensoria no número 129.

Foto: R7 Rio (raspagem)

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