A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga como Professor usava franquia de picanhas e eventos culturais para movimentar valores ilícitos ligados ao tráfico de drogas. Fhillip da Silva Gregório, conhecido como “Professor”, morto na última segunda-feira (1), seria o principal articulador de um esquema milionário de lavagem de dinheiro da facção Comando Vermelho.
De acordo com a apuração de Felipe Freire, da TV Globo, a investigação revela que o dinheiro das drogas era transferido por diversas contas bancárias até chegar a Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Lá, os valores eram usados para comprar armamentos e entorpecentes para abastecer o tráfico nas favelas cariocas.
Ainda segundo a apuração do repórter, a rede de restaurantes “Picanha do Juscelino” seria usada como fachada para legalizar os lucros ilegais. A franquia, com unidade na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, operava próxima ao campo onde acontecia o “Baile da Escolinha”, evento financiado pelo traficante.
A produtora responsável pelas festas, conforme aponta a polícia, movimentou cerca de R$ 50 milhões em apenas um ano. A escolha estratégica do ponto comercial próximo aos bailes serviria como suporte econômico e logístico para as atividades do grupo criminoso, reforçando a ligação entre o restaurante e o Comando Vermelho.
A franquia teria como sócio oculto o próprio Professor, conforme suspeita a Polícia Civil. Juscelino Medeiros de Lima, apontado como dono da marca, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A polícia afirma que os restaurantes recebiam valores vindos diretamente do tráfico e os repassavam a diversos envolvidos no esquema.
Ainda segundo a apuração de Felipe Freire, um dos investigados movimentou mais de R$ 1 milhão em apenas duas semanas, no mês de março de 2023. Juscelino, que veio da Paraíba há cerca de dez anos, chegou a relatar ao jornal O Globo, em 2020, que fundou o restaurante após receber proposta de sociedade de investidores. “Tive medo, mas aceitei. Assim nasceu a Picanha do Juscelino”, declarou à época.
A operação também alcançou outras figuras ligadas ao traficante. Matheus Gouveia Mendes, suspeito de ser operador financeiro e “laranja” de Professor, foi alvo de buscas nesta terça-feira (3). Ele teria feito transferências bancárias para mulheres próximas a traficantes.
Segundo a investigação, Gabrielle Frazão, mãe de um dos filhos de Professor, teria recebido R$ 66 mil. Já Viviane Noronha, influenciadora digital e esposa do funkeiro MC Poze do Rodo, teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos feitos por Matheus. O delegado Jefferson Ferreira afirmou que os valores foram direcionados tanto para a conta pessoal de Viviane quanto para a conta da empresa dela, a “Noronha Influenciadora”.
As investigações continuam para aprofundar a origem e o destino dos valores movimentados. A Polícia Civil ainda busca identificar todos os envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro que, segundo os investigadores, sustentava parte da estrutura criminosa do tráfico no Rio de Janeiro.














