Presa em Bangu vence Miss Talavera Bruce 2025 e recebe progressão de pena

Thaís Soares Machado

Sob os olhares atentos de colegas e familiares, Thaís Soares Machado, de 28 anos, foi coroada no concurso Miss Talavera Bruce 2025, realizado na Penitenciária Feminina de Bangu, na Zona Oeste do Rio. A vitória trouxe uma surpresa ainda maior: a conquista do direito à progressão de pena para o regime semiaberto.

Durante o desfile, que contou com dez internas, Thaís foi aplaudida de forma emocionante pelos filhos de 12 e 6 anos, que a viam pela primeira vez em dois anos. Cada entrada na passarela arrancava gritos da plateia: “Mamãe, você está linda!”, ecoavam as crianças.

Promovida pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (Sedsdh), a 19ª edição do concurso teve como tema “Renascimento: uma nova vida para o jeans”. Pela primeira vez, as participantes costuraram suas próprias roupas em oficinas realizadas dentro da unidade, reaproveitando peças de denim descartadas para criar saias, boinas e outros itens.

Nos bastidores, o clima foi de cumplicidade. As finalistas passaram por etapas que avaliaram postura, simpatia e desenvoltura. Selecionadas entre mais de 400 internas, dez disputaram a final. Elas se envolvem porque é a chance de sair da rotina do cárcere, reencontrar familiares e viver um dia diferente. O Garota TB é uma oportunidade de escrever uma nova história, disse a diretora do Instituto Penal Talavera Bruce, Ana Paula Leone, em depoimento ao jornal.

Thaís Soares, que brilhou no desfile com look all jeans e traje de gala, carrega um histórico de crimes contra o patrimônio, incluindo roubo e furtos em Niterói e Copacabana. Em 2019, foi condenada a 7 anos e 6 meses de reclusão por roubo, após ameaçar uma vítima durante assalto. Também já respondeu por furtar bebidas de luxo e desacato a policiais.

Apesar do passado, Thaís se emocionou com a chance de recomeçar: Aqui nós já estamos presas. Quando temos essas oportunidades, agarramos. Fiquei muito emocionada ao ver meus filhos, mas segui firme na passarela. Pretendo trabalhar como trancista para custear minha faculdade de veterinária, declarou em depoimento ao jornal.

A disputa, segundo a organização, também serviu como incentivo ao bom comportamento carcerário. Para chegar à passarela, as internas precisaram comprovar disciplina, dedicação e participação em oficinas e atividades. As internas ficam imersas em um processo de valorização pessoal, entendendo seu papel de crescimento como ser humano. A disciplina é o carro-chefe, e isso influi na rotina da unidade, afirmou Maria Rosa Lo Duca Nebel, secretária da Polícia Penal do Rio, em depoimento ao jornal.

Entre as finalistas, muitas revelaram sonhos de recomeço, desde abrir salões de beleza até reconstruir a vida em liberdade. O júri contou com representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Secretaria da Mulher e ainda a porta-bandeira da Beija-Flor, Selminha Sorriso.

A edição também lembrou a campeã de 2024, a ex-influenciadora Kat Torres, condenada por tráfico humano e exploração sexual. Assim como no caso de Thaís, a vitória da paraense gerou repercussão dentro e fora dos muros da penitenciária, mostrando como o concurso simboliza autoestima e ressocialização para mulheres privadas de liberdade.

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