A preservação da memória de Darcy Ribeiro e da arquitetura de Oscar Niemeyer está oficialmente reconhecida. Nesta segunda-feira (9), a Prefeitura do Rio tombou 14 Cieps criados por Oscar Niemeyer, marcando uma nova fase de valorização do patrimônio educacional da cidade. A decisão foi publicada no Diário Oficial e protege unidades escolares que se tornaram referência histórica e arquitetônica no país.
Os Centros Integrados de Educação Pública, conhecidos como Cieps, foram idealizados por Darcy Ribeiro nos anos 1980 e contaram com o projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. A proposta era revolucionária: oferecer educação em tempo integral com alimentação, cultura e esportes integrados à rotina escolar. Essa estrutura ousada foi adotada em diversos pontos da cidade, principalmente em regiões de vulnerabilidade social.
Entre os 14 prédios tombados estão unidades históricas como o Ciep Presidente Tancredo Neves, no Catete, o primeiro a ser construído no município, e o Ciep Leonel Brizola, em Ramos, que popularizou o apelido “Brizolão”. Também foram tombados Cieps emblemáticos como o Ciep Maestro Francisco Mignone, em Olaria, e o Ciep Heitor dos Prazeres, em Pedra de Guaratiba.
Segundo o decreto, ficam incluídos no tombamento não apenas os edifícios principais, mas também as construções auxiliares que compõem o projeto original, como salas de aula, bibliotecas octogonais e quadras poliesportivas. A medida impede intervenções que descaracterizem os prédios, garantindo que suas funções educacionais e arquitetônicas sejam preservadas para as próximas gerações.
A justificativa do tombamento destaca que os Cieps foram pensados para acolher não apenas os alunos, mas também seus familiares e a comunidade ao redor. O prefeito Eduardo Paes, ao assinar o decreto, reforçou a necessidade de equilibrar a proteção patrimonial com a funcionalidade da rede pública de ensino.
A diversidade geográfica das unidades tombadas também chama atenção: há Cieps na Zona Norte, Zona Oeste, Zona Sul e no Centro da cidade. A lista inclui escolas como o Ciep José Pedro Varela, na Lapa; o Ciep Olga Benário Prestes, na Ilha do Governador; e o Ciep Margareth Mee, no Recreio dos Bandeirantes. Cada um desses espaços representa uma história específica, ligada à realidade local e ao projeto social mais amplo dos anos 80.
Além da função educacional, muitos desses Cieps abrigam projetos culturais, espaços de memória e iniciativas sociais. O Ciep Elis Regina, por exemplo, mantém uma exposição permanente com artigos pessoais da cantora. Já o Ciep Doutor Bento Rubião, na Rocinha, atua como um centro comunitário informal, promovendo atividades para além da sala de aula.
O tombamento chega em um momento em que se discute o futuro da educação pública e os caminhos possíveis para sua modernização. Ao mesmo tempo em que valoriza a herança de Niemeyer, a decisão também abre espaço para reflexões sobre a atualização desses espaços sem comprometer seu valor histórico.
A medida foi bem recebida por educadores e urbanistas. Para muitos especialistas, esse reconhecimento ajuda a reposicionar os Cieps como modelo de escola pública com visão de futuro, além de fortalecer o elo entre educação, arquitetura e cidadania.
Os próximos passos incluem a criação de um plano de preservação, que deverá ser elaborado pela Secretaria Municipal de Educação em conjunto com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. A ideia é garantir que os Cieps possam continuar funcionando plenamente, com segurança, modernização dos recursos e respeito à identidade arquitetônica.














