Prefeitura do Rio anuncia fiscalização de fabricantes de bebidas alcoólicas

bebidas alcolicas

A fiscalização de fabricantes de bebidas alcoólicas passará a ser realizada pela Prefeitura do Rio, que regulamentou nesta quarta-feira (1º) uma lei municipal de 2018 autorizando a atuação direta do município. Até então, a tarefa era exclusiva da União. A medida foi tomada em meio à repercussão de casos de intoxicação por metanol registrados em São Paulo e Pernambuco, que resultaram em mortes e investigações.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, até o momento não houve registros semelhantes na capital. O próximo passo será apresentar ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) um plano de trabalho para que a cidade se credencie oficialmente e possa atuar. Com a autorização federal, será possível fiscalizar 67 fábricas de bebidas localizadas no Rio, incluindo 17 cervejarias e cinco fabricantes de destilados. Uma dessas unidades já se encontra interditada, embora o motivo não tenha sido detalhado.

De acordo com Aline Borges, presidente do Instituto de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio), qualquer suspeita deve ser comunicada ao canal 1746. Atualmente, o órgão só tem competência para fiscalizar bares, restaurantes e pontos de venda. Nesses casos, produtos sem comprovação de origem são apreendidos e os estabelecimentos podem ser multados entre R$ 3,6 mil e R$ 5,4 mil.

Apesar de não haver casos recentes de metanol no Rio, o histórico preocupa. A cidade já registrou adulterações envolvendo tráfico e milícia. Em 2020, a Polícia Civil encontrou em Guaratiba um depósito de cervejas ligado ao miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko. Mais recentemente, em fevereiro deste ano, uma distribuidora na Tijuca foi alvo de ação após clientes relatarem mal-estar ao consumir cerveja adquirida no local.

Enquanto o poder público se organiza para ampliar a fiscalização, comerciantes e consumidores adotam medidas de precaução. Nas praias, vendedores relatam queda nas vendas de caipirinhas e reforçam cuidados como guardar notas fiscais e evitar fornecedores avulsos. Já restaurantes e bares de renome passaram a divulgar nas redes sociais a procedência certificada das bebidas, a fim de garantir a confiança dos clientes.

A regulamentação da lei representa um avanço no combate à adulteração e reforça a importância de proteger consumidores diante de um problema que já provocou mortes em outras regiões do país.

Limpatech