O prédio antigo do Inmetro no Rio Comprido se transformou em um símbolo do abandono que atinge a região. Vazio há pelo menos cinco anos, o edifício de oito andares localizado na Rua Santa Alexandrina, 416, tem sido alvo constante de invasões e depredação. O cenário repete o padrão observado em outros imóveis públicos desativados: com a saída dos serviços e da vigilância, sobram insegurança e deterioração.
Hoje, o interior da construção está completamente destruído. Usuários de droga circulam durante o dia pelos andares e arrancam tudo o que tem algum valor para revender em ferros-velhos irregulares. Janelas, estruturas metálicas e componentes internos são arrancados e jogados do alto, em plena área residencial, colocando moradores e pedestres em risco.
O acesso ao local também deixou de ser um obstáculo. Em vídeos divulgados nas redes sociais, invasores aparecem simplesmente arrastando o portão e entrando pela frente, sem qualquer dificuldade. Relatos de vizinhos afirmam que gritos e denúncias não intimidam os responsáveis, que entram, retiram o que encontram e saem com naturalidade.
Embora seja conhecido como “prédio do Inmetro”, o órgão afirma que nunca foi proprietário do imóvel. O espaço pertence à União e havia sido cedido ao instituto nos anos 1990 por meio de um acordo com o antigo Departamento Nacional de Estradas e Rodagens. Quando o órgão foi extinto, a gestão passou para a Superintendência de Patrimônio da União no Rio. Em 2021, o Inmetro devolveu oficialmente o local; as chaves foram entregues no ano seguinte.
Foi também em 2022 que a Unirio assumiu a guarda do prédio. A universidade nega abandono e diz que adotou medidas de conservação, mas admite que a segurança se tornou inviável. Empresas terceirizadas se recusaram a continuar no local por causa do risco. A instituição também informou ter registrado ocorrências na Polícia Federal, pedido reforço ao 4º BPM e comunicado à 6ª DP. Segundo a universidade, o imóvel já estava em péssimas condições e exigiria reformas para as quais não havia recursos. O plano inicial era utilizar o espaço em atividades ligadas ao Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, mas o projeto foi suspenso após mudanças internas na rede federal de saúde.
Para conter parcialmente o problema, o 4º BPM chegou a colocar policiais dentro do prédio e reforçou o patrulhamento no entorno. Moradores, no entanto, afirmam que a medida não resolve a situação crônica de insegurança. Desabafos nas redes sociais descrevem a área como um retrato do abandono, com referências a “cracolândia” e comparações a cenários de séries como The Walking Dead, diante de episódios de furto de fiação, tumultos e circulação constante de usuários.
O contexto do bairro contribui para o agravamento do quadro. Há pelo menos quatro anos, o Rio Comprido aparece entre os locais com maior desvalorização imobiliária da cidade. Moradores atribuem esse declínio a fatores como a presença do Elevado Paulo de Frontin — que alterou profundamente a dinâmica urbana — e à proximidade de áreas de conflito, como os acessos aos morros do Estácio e do Turano, reforçando a sensação de vulnerabilidade e afastando novos residentes.
O caso permanece como exemplo claro dos desafios enfrentados pelo bairro, que convive diariamente com a falta de manutenção, insegurança e disputas de responsabilidade entre órgãos públicos.














