Policial suspeito de chefiar milícia é preso e esconde senha de celular

Um policial civil apontado como chefe de um grupo armado foi preso pela Corregedoria após comparecer à sede do órgão fiscalizador. Ele se recusou a entregar a senha de desbloqueio do próprio telefone apreendido pelos agentes.

O mandado de prisão temporária contra o policial Rafael Juergen Shult foi renovado pela Justiça e cumprido assim que ele pisou no prédio da Corregedoria, acompanhado de dois advogados particulares.

Esquema usava viaturas falsas para extorquir dinheiro de vítimas

As apurações apontam que o policial exercia a liderança de um bando paramilitar armado, com atuação idêntica à de milícias. A organização criminosa agia sequestrando comerciantes da região e cobrando valores sob ameaça física direta.

Criminosos locais também acabavam no alvo das extorsões promovidas pela quadrilha. Segundo as investigações, os envolvidos circulavam com pelo menos duas viaturas clonadas e com caracterização idêntica à oficial, utilizadas para render e sequestrar os alvos sem levantar suspeitas iniciais da vizinhança.

O agente prestava serviços na delegacia do bairro dos Jardins e acreditava que a ordem anterior de detenção havia perdido a vigência sem nova ordem do Poder Judiciário. Ao notar a renovação autorizada na véspera pelo Tribunal de Justiça, a Corregedoria deu voz de prisão em flagrante cumprimento de ordem judicial.

No instante da abordagem, o policial entregou o aparelho celular aos investigadores, mas avisou que não repassaria o código para liberar a tela. Apesar da resistência em liberar as conversas e registros, ele alegou informalmente aos colegas que não mantinha nada irregular arquivado.

O que já se sabe sobre a apuração

O aparelho recolhido foi encaminhado para perícia técnica especializada, com o objetivo de quebrar os protocolos de segurança e acessar listas de contatos, chamadas e conversas em aplicativos.

Os dados digitais devem esclarecer quem eram os comparsas que participavam das abordagens de rua usando os veículos adulterados. As duas viaturas falsas citadas no inquérito já tinham sido localizadas e apreendidas em fases anteriores da ação.

Após os procedimentos formais na Corregedoria da Polícia Civil, o suspeito foi transferido diretamente para a unidade prisional destinada exclusivamente a agentes públicos das forças de segurança, onde permanece sob custódia temporária à disposição dos magistrados.

Como denunciar abusos e atuação de milícias

Qualquer cidadão que identificar cobranças forçadas, intimidação armada ou suspeita de policiais envolvidos em esquemas de extorsão pode relatar o fato de forma totalmente anônima e segura.

No Estado do Rio de Janeiro e em âmbito interestadual, o canal central do Disque Denúncia atende pelo telefone 2253-1177, com linha aberta 24 horas por dia, sem exigência de identificação do autor da chamada. O serviço também recebe dados pelo aplicativo oficial “Disque Denúncia RJ”.

Casos envolvendo conduta ilícita de policiais civis podem ser encaminhados presencialmente ou por mensagem para a Ouvidoria das Polícias e para as Corregedorias Gerais das forças de segurança, órgãos encarregados de abrir sindicâncias internas e processos disciplinares demissionários.

O que fazer se você for vítima de extorsão

Vítimas abordadas por grupos armados ou comerciantes constrangidos com cobranças periódicas de taxas de segurança clandestinas não devem reagir no momento do contato inicial.

É essencial reunir elementos que ajudem a linha investigativa: placas de carros, cores e modelos de viaturas que parecerem fora do padrão, datas, horários de cobrança e contas bancárias indicadas para transferência de valores.

O boletim de ocorrência de ameaça ou extorsão pode ser feito na delegacia de polícia civil mais próxima de sua residência ou estabelecimento, além do sistema oficial da Delegacia Eletrônica estadual para registros de emergência sem violência física consumada.

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