A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro abriu investigação para identificar uma mulher gravada fazendo saudação nazista dentro do Colégio Santo Inácio, tradicional ponto de votação em Botafogo, na Zona Sul, após discutir com eleitores no local.
Gesto nazista e ofensas dentro de escola tradicional mobilizam a polícia
O episódio aconteceu nos corredores do colégio particular, onde funcionam diversas seções eleitorais da Zona Sul carioca. Imagens gravadas por testemunhas mostram a mulher caminhando com o braço direito esticado para o alto e a palma da mão virada para baixo, reproduzindo o gesto associado ao regime de Adolf Hitler.
Ao ser repreendida por pessoas que aguardavam na fila para votar, ela questionou aos gritos se os presentes eram comunistas. Um homem que acompanhava a cena respondeu que era judeu. A mulher rebateu de imediato dizendo “pior ainda” e deixou o prédio logo em seguida.
O caso provocou correria e indignação imediata entre as pessoas que estavam no pátio da escola. Policiais militares e mesários que atuavam no colégio foram acionados logo após o ocorrido, mas a mulher já havia saído do local antes da abordagem.
O que já se sabe sobre a investigação
O caso foi formalmente registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo), que fica responsável pela condução do inquérito. A ocorrência foi classificada inicialmente como injúria por preconceito, tipificação penal aplicada em casos de discriminação com base em religião, raça ou etnia.
Segundo os investigadores, a mulher ainda não teve o nome confirmado formalmente. Os agentes recolheram os vídeos gravados por testemunhas e solicitaram as gravações do circuito interno de monitoramento do Colégio Santo Inácio para rastrear a entrada e a saída da suspeita.
A polícia também analisa a relação de eleitores cadastrados nas seções que funcionam naquele corredor para tentar cruzar horários e características físicas. Até o momento, nenhum mandado ou prisão foi efetuado, e as oitivas de quem presenciou o ato continuam em andamento na delegacia.
Quem responde por isso e quais as punições previstas
A apuração está centralizada na 10ª DP de Botafogo, sob comando da autoridade policial da unidade. A apologia ao nazismo e os atos de discriminação religiosa ou racial encontram respaldo na Lei Federal 7.716/1989, além do Código Penal Brasileiro no crime de injúria preconceituosa.
A lei brasileira pune com prisão de dois a cinco anos, além de multa, quem fabrica, comercializa, distribui ou veicula símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para divulgação do nazismo. Atos diretos que incitem preconceito religioso ou de origem também acarretam pena privativa de liberdade.
A direção do colégio informou que colabora integralmente com o envio de dados e imagens às autoridades competentes para esclarecer a autoria dos fatos ocorridos em suas dependências.
O que fazer se você foi vítima de injúria por preconceito
Pessoas que passarem por agressões verbais ou discriminação ligada a crença, raça, etnia ou origem devem procurar uma delegacia de polícia imediatamente. Na Zona Sul, o registro presencial referente à área de Botafogo e bairros vizinhos pode ser feito diretamente na 10ª DP, localizada na Rua Voluntários da Pátria, 106, com funcionamento ininterrupto durante 24 horas.
O boletim também pode ser preenchido de forma online pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil (dedic.pcerj.rj.gov.br) em qualquer horário, anexando vídeos, fotos e capturas de tela que sirvam de prova. Para o registro presencial ou online, é necessário apresentar documento de identidade com foto, comprovante de residência e o contato de testemunhas presenciais do fato.
Como denunciar
Informações que levem à identificação ou localização da suspeita podem ser repassadas de forma anônima e gratuita ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro. O serviço atende pelo telefone (21) 2253-1177, que opera durante 24 horas por dia com garantia absoluta de sigilo para quem liga.
Também é possível encaminhar denúncias com arquivos anexados por meio do aplicativo oficial “Disque Denúncia RJ” ou pelo WhatsApp do programa no número (21) 98849-6099. Caso a situação envolva risco iminente de agressão ou conflito em andamento, o acionamento de urgência da Polícia Militar deve ser feito ligando para o telefone 190.
Foto: R7 Rio (raspagem)













