A moradora Valéria Matos Ribeiro, de 48 anos, morreu na manhã de domingo no Hospital Municipal Dr. Rodolpho Perissé, em Armação dos Búzios. Ela estava internada após ter sido esfaqueada pelo ex-companheiro.
O ataque aconteceu quando a vítima caminhava com o filho, de 8 anos, em direção a uma unidade escolar no bairro Vila Verde. A criança tentou defender a mãe e sofreu cortes no braço, recebendo alta em seguida.
Ataque covarde termina em feminicídio consumado na Região dos Lagos
Valéria Matos Ribeiro lutava pela vida no Centro de Terapia Intensiva desde a manhã de sexta-feira. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Armação dos Búzios, ela deu entrada com pressão arterial bastante baixa e hemorragia grave causada por golpes na região do abdômen.
Quatro cirurgiões gerais e um especialista vascular operaram a vítima em caráter de emergência para conter danos internos profundos, incluindo lesões graves no fígado. Uma grande mobilização tomou conta do município nos últimos dias, com campanhas de doação de sangue junto ao Hemocentro da Região dos Lagos (Hemolagos) e orações nas redes sociais. Contudo, o quadro clínico teve complicações severas e o óbito acabou confirmado por volta das 5h30.
De acordo com os primeiros relatos policiais, a mulher estava separada do agressor desde fevereiro deste ano. O homem não aceitava o término e a interceptou na rua durante o trajeto matinal com a criança. O menino tentou segurar o autor para proteger Valéria e acabou atingido, sendo prontamente medicado no hospital da cidade e liberado sem risco de morte.
O que já se sabe sobre o caso
As apurações preliminares da Polícia Civil apontam que o agressor enviou uma gravação de voz ao irmão da vítima instantes depois do ataque. No áudio, o autor confessava a violência e pedia ajuda para escapar da região.
Horas após o crime, policiais militares do 25º Batalhão de Polícia Militar (Cabo Frio), responsável pela área de Búzios, foram até a residência do suspeito, localizada no bairro Rasa. No endereço, os policiais encontraram o corpo de Ademilson da Silva, de 54 anos, já sem sinais vitais. A Perícia Técnica da Polícia Civil realizou os trabalhos no imóvel residencial para coleta de provas materiais.
Inicialmente, a ocorrência havia sido protocolada como tentativa de feminicídio seguida de suicídio. Com o falecimento da vítima na unidade de saúde, os policiais da 127ª Delegacia de Polícia (Armação dos Búzios) alteraram formalmente o inquérito para feminicídio consumado. A dinâmica exata e os laudos periciais devem ser concluídos nos próximos dias pelos investigadores.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
A violência doméstica e as ameaças de ex-companheiros precisam ser comunicadas imediatamente às autoridades antes de se transformarem em tragédias. Vizinhos, parentes ou vítimas diretas contam com canais totalmente gratuitos e sigilosos no Estado do Rio de Janeiro.
- Disque Denúncia do Rio: Ligue para o telefone (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia, aceita informações anônimas e repassa dados com urgência aos investigadores.
- Central de Atendimento à Mulher: O número 180 presta orientação especializada, indica abrigos de proteção e recebe queixas de agressão em âmbito nacional.
- Emergência imediata: Caso o agressor esteja no local ou rondando a vítima, ligue 190 para acionar viaturas do Batalhão de Polícia Militar mais próximo.
- Delegacia local: Denúncias presenciais em Búzios podem ser feitas na 127ª DP (Estrada da Usina Velha, sem número, no Centro de Búzios), onde as equipes registram a ocorrência.
O que fazer se você for vítima ou sofrer ameaças
Se você sofre agressões verbais, físicas ou perseguição após o término de um relacionamento, procure ajuda jurídica e policial imediatamente. Em casos de urgência, a mulher não precisa esperar um novo ataque para registrar a ocorrência criminal.
Para obter medidas protetivas de urgência, a vítima pode comparecer à delegacia mais próxima ou buscar o atendimento da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. Essas ordens judiciais obrigam o agressor a manter distância mínima, proíbem contatos telefônicos ou digitais e determinam o afastamento imediato do lar.
Caso não haja viatura ou posto físico próximo, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro disponibiliza o registro de fatos não emergenciais por meio da Delegacia Online no endereço eletrônico oficial. Guardar mensagens, áudios e capturas de tela das ameaças serve como prova documental para embasar os pedidos urgentes da Justiça.
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