Polícia investiga ex-sócio da academia DNA Experience por assédio. O inquérito foi aberto pela 16ª DP (Barra da Tijuca) para apurar diversas denúncias de assédio moral e sexual contra Nicolay Andrade Faria Ribeiro, conhecido como Nico Anfari, ex-sócio da rede DNA Experience. A academia é bastante conhecida no Rio de Janeiro, com unidades na Barra da Tijuca e no Grajaú, e é frequentada por celebridades.
Nos depoimentos colhidos, ex-funcionárias e alunas relataram episódios em que o empresário teria forçado beijos e enviado mensagens com teor sexual. Também há acusações de que ele promovia sessões fotográficas constrangedoras com mulheres da academia, usando roupas de treino e biquínis.
O inquérito também cita a personal trainer e ex-sócia Carolina Vaz, conhecida como Carol Vaz. Segundo ex-funcionários, ela tinha conhecimento dos abusos cometidos por Nico, mas optou por não denunciá-los. Carol ficou famosa como “personal das famosas” e, há cerca de três semanas, anunciou seu desligamento da empresa após 20 anos. Na ocasião, alegou ter sido “humilhada e desrespeitada como mulher” ao ser demitida de forma abrupta.
A repercussão da demissão levou internautas a cobrarem um posicionamento da cantora Jojo Todynho, que havia sido treinada por Carol. Em resposta, a artista afirmou: “Amo a Carol, tenho um carinho imenso. No meu processo de pré-bariátrica, a Carol estava comigo. Até hoje uso a marca dela, tenho muito carinho. Mas, olha só: cada um que resolva os seus problemas. Não envolvam meu nome”, levantando suspeitas sobre algo mais grave envolvendo a situação.
O que diz a DNA Experience
Procurada pela reportagem, a assessoria da DNA Experience divulgou uma carta aberta à imprensa. No documento, a academia afirma que, por anos, denúncias foram ignoradas, e responsabiliza Carol Vaz por ter ciência dos fatos sem tomar atitude.
*”Durante anos, muitas vozes foram silenciadas dentro da Academia DNA. Vozes de mulheres, profissionais, funcionárias – vítimas de assédio moral e, em alguns casos, sexual. Hoje, essas vozes exigem ser ouvidas.
É preciso dizer uma verdade incômoda: Carol Vaz sabia. Sabia o que acontecia dentro da instituição em que trabalhou por duas décadas. Sabia dos relatos envolvendo Nico, o responsável pela academia. Sabia dos sussurros nos corredores e das histórias contadas entre lágrimas nos bastidores.
Ainda assim, escolheu se calar. Mais do que isso: escolheu permanecer ao lado dele.
Escolheu a lealdade ao poder, ao prestígio e à conveniência, mesmo quando isso significava virar as costas para quem precisava de apoio. Não se trata apenas de omissão. Trata-se de uma decisão consciente de proteger quem praticava abusos.
Essa carta não é movida por ódio. É movida por respeito às vítimas. Por verdade. Por justiça. Chega de celebrarmos quem silencia. Chega de aplaudir quem se omite diante da dor alheia. A reputação não pode valer mais do que a integridade.
Se há quem deseje defender Carol Vaz, que o faça com consciência. Mas que também encare os fatos: ela sabia – e escolheu não agir.”*
A reportagem tenta contato com Carol Vaz e Nico Anfari. O espaço segue aberto para manifestação de ambos.














