Polícia flagra extração ilegal de areia na Praia do Pepê e investiga crime ambiental

Policiais reprimem extração de areia legal na Praia do Pepê

A extração ilegal de areia na Praia do Pepê foi flagrada por policiais do Comando de Policiamento Ambiental (CPAm) na madrugada desta sexta-feira (10), na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A operação resultou na apreensão de uma retroescavadeira e de um caminhão utilizados na atividade irregular, além da condução de três pessoas para a 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca).

De acordo com a corporação, os operadores não apresentaram licenças ambientais nem qualquer documentação exigida por lei. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o crime ambiental, e uma perícia foi realizada no local para dimensionar os danos causados à vegetação nativa.

O flagrante reacende o alerta de ambientalistas e autoridades sobre a degradação das restingas e a ocupação irregular em áreas sensíveis da orla carioca, especialmente nas praias da Barra e do Recreio.

Degradação crescente na orla

Estudos recentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontam que a retirada da vegetação de restinga e o avanço urbano desordenado ampliam o risco de erosão costeira e ressacas, fenômenos já registrados com intensidade no Leblon e que agora ameaçam também a Zona Sudoeste.

Em setembro, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública contra dois estabelecimentos — o Clássico Beach Club Downwind e a DKS Kite School — por instalar estruturas irregulares sobre a faixa de areia, restringindo o acesso público. A ação também responsabiliza a concessionária Orla Rio, a Prefeitura e a União por falhas na fiscalização, pedindo a recuperação da área degradada e a retirada de construções.

Fiscalização reforçada nos quiosques

No mesmo período, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) notificou 67 quiosques na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes por ocupação desordenada e impactos ambientais. A operação teve caráter educativo, concedendo prazo de 30 dias para adequação das estruturas e reflorestamento das áreas afetadas.

Para orientar os concessionários, a Smac instalou uma base de atendimento na Área de Proteção Ambiental (APA) da Orla Marítima. A secretaria informou que novas fiscalizações serão realizadas para garantir a recuperação da vegetação e conter o avanço das construções sobre áreas protegidas.

Pressão sobre o litoral carioca

O caso da Praia do Pepê reforça a urgência de ações coordenadas entre órgãos ambientais, o Ministério Público e forças de segurança. A exploração irregular de recursos naturais e o desmatamento vêm colocando em risco ecossistemas fundamentais para a proteção do litoral e o equilíbrio climático urbano.

Especialistas alertam que a restinga, além de servir como barreira natural contra o avanço do mar, abriga fauna e flora típicas do ecossistema litorâneo, cuja perda é praticamente irreversível quando associada a obras e dragagens sem controle.

Com o inquérito instaurado, a Polícia Civil busca identificar os responsáveis pela extração e eventuais mandantes da operação ilegal. Os investigados poderão responder por crime ambiental e dano ao patrimônio natural, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998.

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