Policia da versão diferente sobre adolescente morto a caminho do trabalho no Engenho

Gabriel dos Santos Vieira

A morte do adolescente morto Gabriel dos Santos Vieira, de 17 anos, na noite da última quarta-feira (1º), no Engenho da Rainha, Zona Norte do Rio, está cercada de contradições. A tragédia aconteceu enquanto o jovem se dirigia ao trabalho, quando foi atingido por cinco disparos e morreu ainda no local. A Polícia Militar afirma que houve troca de tiros com criminosos, mas a família da vítima sustenta que Gabriel foi alvejado por engano por policiais.

De acordo com informações da PM, agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Alemão realizavam patrulhamento na Estrada Adhemar Bebiano quando abordaram um carro considerado suspeito. Segundo o relato oficial, os ocupantes do veículo teriam disparado contra os agentes, o que deu início a um confronto armado. Durante a fuga dos suspeitos, os policiais teriam notado que duas pessoas numa moto haviam sido baleadas.

Gabriel morreu na hora. O condutor da motocicleta, Vanderson Ferreira Nascimento Pinto, de 40 anos, foi socorrido e encaminhado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

A família de Gabriel, no entanto, apresenta uma versão diferente. Segundo Sara Rodrigues, tia do adolescente, testemunhas afirmam que não houve perseguição e que os disparos teriam sido feitos diretamente contra a moto onde ele estava.

“Muitos moradores disseram que não teve perseguição nenhuma. Eles falam que os policiais atiraram para cima deles. Acredito que acharam que a moto tinha alguma relação com esse veículo suspeito”, afirmou Sara.

Gabriel foi atingido por cinco tiros, segundo os parentes. O sepultamento do jovem está marcado para esta sexta-feira (3). Amigos e familiares lamentam a perda e cobram esclarecimentos urgentes sobre o caso.

O outro homem envolvido, Vanderson Pinto, trabalha como motorista de aplicativo. A corrida foi aceita por ele como forma de complementar a renda da família. De acordo com o afilhado dele, Alexander Rocha, Vanderson foi baleado por três disparos de fuzil calibre 5.56.

“Assim que ele foi baleado, o meu padrinho mandou me ligar. Fui o primeiro a chegar lá, e ele estava deitado, dizendo: ‘Por que isso aconteceu comigo?’”, relatou Alexander ao portal g1.

A Polícia Militar informou que os agentes envolvidos usavam câmeras corporais no momento da ação. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) instaurou um procedimento para apurar o caso. Segundo a corporação, todas as imagens disponíveis serão analisadas no processo de investigação interna.

As armas utilizadas pelos policiais já foram encaminhadas à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que assumiu o caso. A Polícia Civil declarou que diligências estão em curso para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, com o objetivo de identificar responsabilidades e confirmar as versões apresentadas.

Enquanto as investigações seguem, a morte de Gabriel mobiliza moradores da região e organizações ligadas aos direitos humanos. A tragédia reforça o debate sobre abordagens policiais em áreas periféricas e o impacto da violência no cotidiano da juventude negra e pobre do Rio de Janeiro.

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