Polícia apura cobrança de taxa para traficantes em Madureira

Carta de Ameaça

A Polícia Civil vai investigar a suposta cobrança de taxa para traficantes em um condomínio de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com a denúncia, traficantes da Comunidade São José teriam imposto um valor mensal a ser pago pelos moradores, sob pena de sofrerem represálias e assaltos caso não colaborassem.

O caso ganhou repercussão após circular um documento oficial no qual o síndico do residencial convoca uma assembleia-geral extraordinária. A pauta da reunião, marcada para a próxima terça-feira (13), é a aprovação do pagamento de R$ 1.800 por mês à Comunidade São José, valor que começaria a ser cobrado já no mês de maio.

Segundo testemunhas, a proposta foi justificada como forma de “garantir a segurança dos moradores” e evitar invasões ou roubos. Moradores relataram que um prédio vizinho já teria sofrido assaltos após se recusar a fazer o pagamento exigido pelos traficantes. O clima é de medo e apreensão entre os condôminos.

O documento do síndico cita expressamente a necessidade de aprovar o repasse aos criminosos, o que levantou suspeitas imediatas sobre coação e envolvimento direto com o tráfico local. O valor seria dividido entre os moradores e incorporado à taxa condominial regular.

Diante da gravidade da denúncia, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) anunciou que vai instaurar um inquérito para apurar os fatos. Os administradores do condomínio serão chamados para prestar depoimento nos próximos dias.

O caso levanta um alerta para a atuação do crime organizado em áreas residenciais e a vulnerabilidade de comunidades inteiras diante da imposição de regras paralelas à lei. A intimidação imposta por grupos criminosos tem dificultado a atuação das forças de segurança e colocado os moradores em situações de risco.

A Secretaria de Segurança Pública informou que outras denúncias semelhantes na região estão sendo cruzadas com as informações deste caso. A polícia trabalha para identificar os envolvidos na cobrança da taxa e avaliar se há participação de mais pessoas ou outros residenciais afetados pelo mesmo tipo de extorsão.

As autoridades pedem que os moradores colaborem com as investigações e denunciem práticas semelhantes em sigilo. A expectativa é que o inquérito ajude a desmontar o esquema e responsabilizar tanto os criminosos quanto possíveis facilitadores internos.

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