PM preso por estupro em Maricá teria usado ameaça e violência para extorquir e abusar de mulher, diz polícia

Disque Denúncia pede informações de homem suspeito de agiotagem

A polícia civil prendeu um PM preso por estupro em Maricá após a investigação apontar que ele teria usado ameaças, violência física e extorsão contra uma mulher. O policial militar Lucas de Sousa Mathias foi detido dentro do 22º BPM, na Maré, após diligências conduzidas pela 82ª DP de Maricá.

De acordo com os investigadores, o policial agia em conjunto com um comparsa identificado como Davyd Novato Santana, que segue foragido. Ambos são investigados por agiotagem, prática ilegal de empréstimos com cobrança de juros abusivos, além de crimes mais graves denunciados pela vítima.

A mulher que denunciou o caso relatou ter passado por momentos de extrema tensão ao reconhecer o policial após a prisão. Segundo o delegado responsável, Cláudio Vieira, titular da 82ª DP (Maricá), a vítima ficou muito abalada emocionalmente ao confirmar a identidade do agressor.

Entenda o passo a passo da investigação

Em outubro de 2025, a vítima contraiu um empréstimo de R$ 800 junto à dupla. O valor, segundo a denúncia, não seria para uso próprio, mas destinado a uma amiga. Com o não pagamento da dívida, os juros começaram a se acumular de forma acelerada.

Ao longo dos meses seguintes, a mulher passou a ser constantemente cobrada e intimidada. Mesmo realizando pagamentos parciais, a dívida continuou aumentando e chegou a cerca de R$ 7 mil em janeiro de 2026, segundo a polícia.

Já em janeiro, os investigadores apontam que Lucas de Sousa Mathias e o comparsa foram até a residência da vítima, em Maricá, onde ela estava com o pai. Durante a ação, o pai teria sido obrigado a colocar duas televisões no carro dos suspeitos, além da entrega de dinheiro.

Ainda no mesmo dia, a mulher teria sido forçada a entrar no veículo dos investigados. Eles seguiram até a casa da amiga responsável pela dívida e, depois, levaram a vítima para um bar. A mulher afirmou que faz uso de medicação controlada e não pode consumir álcool, mas mesmo assim teria sido coagida a beber.

Segundo o relato, após o bar, ela foi levada a um local isolado, onde teria sido violentada sexualmente pelo policial militar. A vítima contou que foi abandonada no local e conseguiu retornar para casa, de onde pediu ajuda ao pai para ser levada ao hospital.

Após receber atendimento médico, a mulher procurou a polícia e formalizou a denúncia, dando início às investigações que resultaram na prisão do policial.

Identificação e prisão do policial

Os investigadores conseguiram identificar Lucas de Sousa Mathias após ele usar o celular da esposa para ameaçar a vítima. A partir do número telefônico, foi possível chegar à identidade do policial e ao batalhão onde ele estava lotado.

Com isso, a polícia montou uma estratégia para prendê-lo no momento em que ele chegava ao trabalho, já que não foi encontrado nos endereços anteriormente levantados durante a investigação.

Apreensões e buscas

O comparsa, Davyd Novato Santana, segue foragido. Em um endereço ligado a ele, a polícia apreendeu dinheiro, armas municiadas, facas, carregadores, toucas do tipo ninja e um caderno com anotações de dívidas, material que pode indicar a extensão do esquema de extorsão.

As televisões retiradas da casa da vítima foram recuperadas. Durante a ação, os agentes também apreenderam um tucano mantido em uma gaiola inadequada, o que levou à inclusão de maus-tratos a animais entre os crimes investigados.

O que diz a Polícia Militar?

Em nota, a Polícia Militar informou, por meio da Corregedoria Geral, que o policial está preso na Unidade Prisional da PM do Rio de Janeiro. A corporação informou ainda que será instaurado um procedimento administrativo disciplinar.

“O Comando da Corporação reitera que não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados”, informou a PM.

Limpatech