PM é baleado no Engenho Novo e precisa ser transferido por falta de tomógrafo

Hospital Salgado Filho

Na manhã desta segunda-feira (2), um PM é baleado no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio. O sargento Cláudio Muniz foi atingido durante patrulhamento com colegas da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) São João, quando o grupo sofreu um ataque a tiros nas proximidades da comunidade local.

O policial foi levado com urgência ao Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, também na Zona Norte. No entanto, como o tomógrafo da unidade estava quebrado, ele precisou ser transferido para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, para continuidade do atendimento.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ao dar entrada no Salgado Filho, o sargento foi estabilizado e avaliado pela equipe de neurocirurgia. Um exame de raio-x foi realizado e apontou que não há projétil de arma de fogo alojado. A pasta informou ainda que o tomógrafo da unidade apresentou defeito durante a madrugada e que a assistência técnica já está atuando para resolver o problema.

A situação reacende a discussão sobre a precariedade de equipamentos em unidades hospitalares do Rio, especialmente em casos de emergência que demandam resposta rápida. O caso de Cláudio Muniz acontece dias após outro episódio semelhante: no último dia 27, o motorista de aplicativo Vagner Santos Ferreira, de 39 anos, morreu após ser baleado na cabeça e não conseguir acesso a exames e cirurgia em tempo hábil.

Vagner foi socorrido após um assalto em Senador Camará, na Zona Oeste, e passou por dois hospitais — o Albert Schweitzer, em Realengo, e o Getúlio Vargas, na Penha. No total, percorreu cerca de 40 quilômetros em uma ambulância, deitado em uma maca, em busca de atendimento adequado. O paciente morreu seis horas depois.

Na ocasião, houve divergência entre os órgãos de saúde sobre os motivos da transferência e a estrutura disponível. O município afirmou que não possui tomógrafo para pacientes obesos e que o envio ao Getúlio Vargas ocorreu por ser referência em neurocirurgia. Já o estado alegou que a transferência foi feita sem aviso prévio e que, ao chegar, o paciente foi avaliado por um neurocirurgião que contraindicou a cirurgia e recomendou abertura de protocolo de morte encefálica.

Voltando ao caso mais recente, a PM é baleado no Engenho Novo durante uma patrulha em área de disputa entre facções. O Morro São João, sob domínio do Comando Vermelho, enfrenta atualmente confrontos com o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, reduto do Terceiro Comando Puro (TCP). O conflito entre os grupos tem gerado tensão na região e colocado em risco moradores e agentes de segurança.

A Polícia Militar ainda não divulgou detalhes sobre a identidade dos responsáveis pelo ataque. O estado de saúde do sargento Cláudio Muniz não foi atualizado até o fechamento desta matéria.

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