Pirâmide financeira no Rio: Polícia Civil prende suspeito de captar investidores

DDEF

A pirâmide financeira no Rio investigada pela Polícia Civil teve um novo desdobramento nesta quinta-feira (14), com a prisão de Caio Kohlbach Reis. Ele é apontado pela Delegacia de Defraudações como integrante de uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra investidores no estado.

Segundo os investigadores, Caio era responsável por captar pessoas para o esquema. Ele foi localizado no bairro Santa Rosa, em Niterói, na Região Metropolitana, onde estaria escondido.

Nas redes sociais, o suspeito exibia uma rotina de luxo, com registros de viagens, festas, passeios de helicóptero e jet-ski. Para a polícia, essa ostentação fazia parte do perfil usado para transmitir credibilidade e atrair novos investidores.

De acordo com a Delegacia de Defraudações, o grupo criminoso atuava desde 2020 prometendo altos rendimentos mensais. As operações eram apresentadas como investimentos, mas seriam sustentadas por empresas de fachada criadas para dar aparência de legalidade ao negócio.

As investigações apontam que o esquema teria movimentado cerca de R$ 50 milhões e causado prejuízo milionário às vítimas. Há pelo menos 165 ações judiciais e registros de ocorrência ligados ao caso.

Segundo a Polícia Civil, os investigados prometiam retorno de aproximadamente 3% ao mês. Nos primeiros meses, os pagamentos eram feitos normalmente, o que ajudava a ganhar a confiança das vítimas.

Depois disso, os investidores eram incentivados a aplicar valores maiores e a indicar outras pessoas para o negócio. Com o passar do tempo, porém, os saques começavam a ser bloqueados.

A polícia afirma que o grupo operava no modelo conhecido como esquema Ponzi. Nesse tipo de fraude, os valores pagos aos investidores mais antigos vêm do dinheiro aplicado por novos participantes, e não de lucro real gerado por uma atividade econômica.

Para manter a aparência de uma operação regular, os suspeitos teriam criado 19 empresas de fachada. Elas estariam ligadas principalmente aos grupos LGO e A&C e registradas no mesmo endereço, na Rua da Assembleia, no Centro do Rio.

Ainda segundo os agentes, as empresas não tinham autorização da Comissão de Valores Mobiliários para atuar no mercado financeiro. Mesmo assim, ofereciam investimentos ao público fora do sistema oficial.

A prisão de Caio é um desdobramento de uma operação realizada no mês passado pela Delegacia de Defraudações. Na ocasião, foram expedidos 11 mandados de prisão contra integrantes da organização criminosa.

Durante aquela fase da investigação, Igor Aguiar Rodrigues Gonçalves, apontado como integrante do núcleo comercial do esquema, foi preso. Ele seria responsável pela captação e manutenção das vítimas.

Luiz Gustavo de Oliveira Fernandes, descrito como parceiro dos líderes do golpe, já estava preso. As investigações começaram em 2022 e resultaram na denúncia de 11 pessoas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Os investigados foram denunciados por organização criminosa, estelionato e crimes contra a economia popular. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa da Capital.

De acordo com a Polícia Civil, seguem foragidos Bruno Facão de Carvalho e Douglas de Assis Viana, apontados como chefes do esquema. Também são procurados Daniel Sérgio de Assis, João Pedro Rocha de Faria, Mário José do Nascimento, Mayara Cristina Oliveira de Souza, Rafhael Marinho Mashio e Victor Hugo Ferreira de Souza Vieira.

A investigação continua para localizar os foragidos, identificar o caminho do dinheiro e dimensionar o prejuízo causado às vítimas. O caso reforça o alerta para promessas de rendimento elevado, especialmente quando empresas não têm autorização para operar no mercado financeiro.

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