A Polícia Federal revelou que o ex-assessor de TH Jóias, Luiz Eduardo Gonçalves da Cunha, conhecido como Dudu, tentou se infiltrar em diferentes áreas do poder público, incluindo campanhas eleitorais, cargos em secretarias e até contratos de obras públicas. Ele é apontado pelos investigadores como o “lobista” do tráfico, com forte ligação ao Comando Vermelho.
Dudu aparece em mensagens obtidas pela PF negociando até a compra de bazucas antidrones para traficantes do Complexo do Alemão e oferecendo-se para viajar aos Estados Unidos em busca dos equipamentos. Em outra conversa, sugeriu que um criminoso se candidatasse a vereador em Duque de Caxias com apoio de TH Jóias, preso na mesma operação.
Antes de atuar como assessor na Assembleia Legislativa do Rio, Dudu já circulava entre a política e o crime organizado. Em 2023, foi flagrado pela Polícia Militar na Avenida Brasil com R$ 175 mil em espécie. Na ocasião, disse ser assessor do deputado federal Gutemberg Reis (MDB), mas depois mudou a versão e alegou que o dinheiro vinha da venda de um carro. A quantia foi apreendida, e a investigação seguiu em aberto.
A trajetória de Dudu também incluiu uma breve passagem pela Secretaria Estadual de Trabalho e Renda, em 2021, quando foi nomeado na gestão de Patrique Welber, à época no PTB. Sua empresa de marketing digital já havia prestado serviços para campanhas eleitorais. Dois anos depois, comprou uma construtora por R$ 800 mil e chegou a se habilitar no sistema de aquisições do governo fluminense, concorrendo a contratos de reforma em colégios estaduais.
Para os investigadores, o objetivo era usar empresas como fachada para lavagem de dinheiro. Relatórios apontam que ele e pessoas próximas movimentaram cerca de R$ 8,7 milhões entre 2021 e 2024. No processo, a PF descreve Dudu como responsável por transmitir mensagens entre o crime organizado e o meio político, além de articular estratégias para ampliar o poder da facção.
As defesas de Dudu e dos outros acusados não se pronunciaram até o momento. Já os advogados de TH Jóias afirmaram que o ex-deputado é inocente.














