A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira quatro mandados de busca na Barra da Tijuca contra o pastor Márcio Poncio e Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho, em ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal contra lavagem de dinheiro.
Esquema usava bens de luxo e empresas para esconder patrimônio ilegal
A ação marca a nona etapa da chamada Operação Unha e Carne. Os agentes federais vasculham salas comerciais e um endereço residencial de luxo localizados na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Federal, as salas serviam como núcleos de administração do grupo investigado. O imóvel residencial pertence a um suspeito apontado como um dos principais articuladores das movimentações financeiras da quadrilha.
Os policiais buscam recolher computadores, celulares, relatórios contábeis e documentos de transações. Os investigadores afirmam que os papéis podem comprovar a ocultação de fortunas obtidas de maneira ilícita pelo grupo ligado à contravenção fluminense.
O que já se sabe sobre a apuração
Esta nova fase nasceu após a perícia em um telefone apreendido na quinta etapa da operação, realizada em 2 de julho. As mensagens revelaram novos imóveis, empresas e contas bancárias usadas para movimentar recursos sem chamar a atenção dos órgãos de fiscalização financeira.
O pastor Márcio Poncio já havia sido preso naquela mesma etapa de julho e atualmente cumpre prisão domiciliar. Na ocasião, a Justiça também expediu mandado de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Agora, Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho, entrou na mira formal das ordens judiciais. O Supremo Tribunal Federal foi quem autorizou as ações após pedido dos investigadores federais.
As investigações apontam que a rede criminosa mantinha aviões particulares, carros importados e mansões registrados em nome de parentes, funcionários de confiança e laranjas. Apesar de estarem no nome de terceiros, os bens continuavam sob o controle direto dos chefes do esquema.
A apuração da PF revelou ainda o uso constante de grande volume de dinheiro vivo para evitar rastreamento bancário. O grupo também criava empresas no Brasil e no exterior, operando inclusive em paraísos fiscais com taxas reduzidas de tributação.
Outro detalhe apontado pela corporação envolve o uso de entidades religiosas e empresas gestoras de patrimônio. A polícia sustenta que essas instituições eram usadas para distanciar os suspeitos de imóveis caros e frotas luxuosas.
Como denunciar esquemas de lavagem e crimes no Rio
A população fluminense pode repassar informações sobre movimentações suspeitas de bens, esconderijo de foragidos e atuação do crime organizado de forma totalmente anônima. As denúncias ajudam a embasar novas fases de apurações policiais.
- Disque Denúncia do Rio: telefone (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia. O sigilo do denunciante é absoluto.
- WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177, canal direto para envio de mensagens, fotos e endereços.
- Polícia Federal: denúncias podem ser feitas pela internet, na página oficial da Ouvidoria da Polícia Federal, ou presencialmente na Superintendência Regional, que fica na Praça Mauá, na Região Central do Rio.
Quem responde por isso e quais são os próximos passos
A condução das diligências está a cargo da Polícia Federal no Rio de Janeiro, com supervisão direta do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em razão do foro e do alcance das pessoas investigadas.
Todo o material recolhido pelos agentes nos prédios comerciais da Barra da Tijuca será encaminhado para a sede da corporação na Praça Mauá. Peritos federais vão analisar os discos rígidos, livros contábeis e contratos apreendidos para confrontar as datas de aquisição dos bens.
A defesa dos envolvidos ainda não se manifestou publicamente sobre o teor das buscas desta etapa. As autoridades buscam identificar outros integrantes da rede que cederam seus nomes para a compra de aeronaves e imóveis milionários.














