PF Apreende Listas com Mais de 20 Políticos Ligados a Adilsinho, o Que Revelam Planilhas da Máfia do Cigarro?

PF Revela Listas com Políticos Suspeitos de Ligação com Adilsinho e Máfia do Cigarro

A Polícia Federal apreendeu documentos cruciais em 2022 que agora embasam uma nova fase de investigações envolvendo o bicheiro Adilsinho e uma rede de políticos. As listas, encontradas em um imóvel ligado a Adilsinho, detalham supostos pagamentos e movimentações financeiras suspeitas.

O material apreendido durante a Operação Smoke Free, em 2022, inclui planilhas e anotações contábeis que indicam possíveis repasses de recursos a agentes políticos do Rio de Janeiro. A investigação aponta para um esquema de lavagem de dinheiro e doações eleitorais irregulares.

Os nomes citados nas listas não foram oficialmente divulgados pela PF, mas as investigações já conectam o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, codinome “Barba”, e o pastor Márcio Poncio ao esquema. A nova fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (2), mirou especificamente esses alvos, além de outros mandados de prisão e busca e apreensão.

Planilhas Detalham Supostos Pagamentos e Doações

Uma mala de couro encontrada em um imóvel ligado a Adilsinho continha as planilhas e listas que agora são peças-chave na investigação. Segundo a Polícia Federal, esses documentos registram supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e anotações contábeis relacionadas à lavagem de dinheiro. O bicheiro Adilsinho, preso desde fevereiro, voltou a ser alvo de um novo mandado de prisão na atual etapa da operação.

As investigações indicam que os documentos apreendidos chamaram a atenção por detalharem possíveis repasses de recursos a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. Essa rede estaria envolvida em vazamento de dados sigilosos de operações policiais, comprometendo o combate ao crime organizado no estado.

Alvos da Operação: Pastor, Ex-Deputado e o Bicheiro Adilsinho

O pastor e empresário Márcio Poncio, conhecido como “pastor do cigarro”, foi detido em um apart-hotel no Rio. Ele é investigado por suspeita de ligação com a chamada máfia do cigarro, esquema supostamente liderado por Adilsinho. O bicheiro, considerado pelas autoridades o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado, já possuía cinco mandados de prisão em aberto e figurava na lista de criminosos mais procurados do país.

Rodrigo Bacellar, ex-deputado estadual, já estava preso desde fevereiro e voltou a ser alvo da operação nesta quinta-feira. Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, que visava o Comando Vermelho, beneficiando figuras ligadas à facção. Bacellar será transferido para um presídio federal.

Operação Unha e Carne: O Início das Investigações

A investigação que levou à apreensão das listas teve início com a Operação Unha e Carne, deflagrada em dezembro de 2025. Na época, Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), já era o principal alvo. Uma segunda fase da operação resultou na prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto.

Posteriormente, em março de 2026, uma terceira fase da operação levou a uma nova prisão de Rodrigo Bacellar. Foi nesse momento que a Polícia Federal passou a vincular formalmente a investigação à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, argumentando que o esquema de vazamentos comprometia operações de segurança pública contra o crime organizado.

Notas dos Envolvidos

A defesa de Marco Antônio Cabral declarou que ele colaborou com as autoridades e nega qualquer participação em organização criminosa ou lavagem de dinheiro, reafirmando sua disponibilidade para prestar esclarecimentos. A defesa de Adilsinho refuta a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos, confiando no Poder Judiciário.

O advogado de Márcio Poncio informou que ainda não teve acesso aos autos do processo, o que impede o conhecimento dos fatos que levaram à decretação de sua prisão preventiva. A Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, além do sequestro de bens e valores estimados em R$ 22 milhões.

Limpatech