A PF aponta TH Jóias como um dos principais operadores financeiros e articuladores políticos do Comando Vermelho. Segundo investigação, o ex-deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva participou de operações de câmbio que movimentaram cerca de R$ 9 milhões em dinheiro do tráfico, além de atuar na compra e venda de armamentos para a facção.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, em abril do ano passado, TH foi chamado por Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, para trocar R$ 5 milhões por dólares. Parte do dinheiro foi levada para uma casa de câmbio em Copacabana, enquanto o restante ficou sob a guarda do ex-parlamentar em sua residência na Barra da Tijuca. A transação teria rendido lucro de R$ 50 mil a TH.
Um mês depois, ele teria participado de outra operação, envolvendo R$ 4 milhões. Segundo a PF, parte do valor não foi devolvida aos traficantes e acabou sendo usada em despesas pessoais, incluindo um chá-revelação organizado pelo ex-deputado e seu assessor Luiz Eduardo Cunha Gonçalves.
Além das operações financeiras, a investigação aponta indícios de lavagem de dinheiro e revela conexões de TH com informantes dentro de órgãos públicos. Entre eles estaria o delegado federal Gustavo Stteel, acusado de repassar informações sigilosas sobre operações policiais, e Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário de Defesa do Consumidor, que teria atuado como elo político da facção.
As interceptações telefônicas mostram ainda que TH tinha proximidade com Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, chefe do CV no Complexo do Alemão, e mantinha contato direto com traficantes de diferentes comunidades. Em vídeos apreendidos, o ex-deputado aparece exibindo sacos de maconha avaliados em centenas de quilos.
Preso desde quarta-feira (3), TH Jóias perdeu o mandato parlamentar e permanece sob custódia junto a outros 14 acusados na operação. A defesa dos envolvidos não se pronunciou.














