Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema milionário que utilizava pessoas em situação de rua como laranjas para abrir empresas de fachada e movimentar mais de R$ 2 bilhões em fraudes bancárias. A operação, chamada Oasis 14, foi deflagrada na última quinta-feira (21) e resultou em 16 prisões no Rio e em São Paulo.
Conforme as apurações, o grupo criminoso atuava há mais de duas décadas, sempre com a mesma estratégia: abrir firmas fictícias em nome de pessoas vulneráveis, contratar empréstimos vultosos e, após o pagamento de algumas parcelas, suspender os repasses, simulando dificuldades financeiras.
O esquema era liderado pelo empresário Jobson Batista, ex-oficial da Marinha Mercante, que chegou a ser apelidado de “Rei dos Empréstimos” pelos investigadores. Ele e a esposa, Cláudia Márcia, foram presos em um condomínio de luxo em Piratininga, Niterói, onde a PF encontrou indícios de lavagem de dinheiro.
Segundo o delegado Bruno Bastos Oliveira, da PF, “as empresas não tinham funcionários, produtos ou atividade econômica, apenas existiam de forma contábil para dar aparência de legalidade e obter crédito junto a bancos públicos e privados”.
Pessoas em situação de rua usadas em troca de cachaça
Um dos episódios relatados mostra que Jobson ofereceu cachaça em troca de dados pessoais de um homem em situação de rua para usá-lo como laranja. A mesma prática foi repetida com outras pessoas de baixa renda, cujos nomes eram utilizados sem qualquer conhecimento sobre a dimensão das fraudes.
Além dos laranjas, o esquema contou com a participação de contadores e gerentes bancários, que recebiam vantagens indevidas, como celulares, bebidas e percentuais dos empréstimos liberados. Ao todo, seis funcionários da Caixa Econômica Federal e quatro de instituições privadas estão entre os investigados.
Estrutura milionária
A quadrilha chegou a montar 334 empresas de fachada e movimentou bilhões ao longo de mais de 20 anos. Parte do dinheiro foi reinvestida em imóveis de luxo, fazendas e negócios fantasmas, segundo a PF. O prejuízo apenas contra a Caixa foi estimado em R$ 33 milhões, mas a perda total ao sistema financeiro pode chegar a R$ 110 milhões.
Jobson já havia sido preso em 2024, quando um dos laranjas foi flagrado tentando sacar dinheiro com documentos falsos. À época, tentou subornar um delegado para escapar da prisão, mas acabou monitorado por tornozeleira eletrônica.
Crimes e investigações
Os investigados vão responder por estelionato qualificado, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Em nota, a Febraban repudiou o envolvimento de bancários e reforçou que realiza treinamentos periódicos para evitar fraudes. Já a defesa de Jobson e Cláudia, representada pelo advogado Jair Pionetto, afirmou que a inocência do casal será provada durante o processo.
A Polícia Federal segue analisando documentos e computadores apreendidos para identificar outros envolvidos e rastrear a destinação final dos valores desviados.














