Para eles um Neandertal tentou fazer arte, há 43 mil anos, ao mergulhar dedo em um pigmento vermelho para pintar um nariz em um seixo. Essa á a teoria de arqueólogos espanhóis que descobriram a impressão digital milenar humana completa mais antiga do mundo após escavarem uma pedra no Abrigo de San Lázaro, uma cavidade rochosa em Segóvia, na Espanha que, segundo eles, se assemelha a um rosto humano.
– Não estava claro se o ponto tinha sido feito com ocre, um pigmento natural de argila. Depois que conseguimos confirmar que o ponto era, de fato, um pigmento, entramos em contato com a polícia científica da Espanha para apoiar nossos esforços. Nossa equipe realizou uma pesquisa aprofundada por meio da análise multiespectral e identificamos ser uma impressão digital – explicou a professora Maria Andres Herrero, da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, uma das autoras do estudo.
A “posição estratégica” do ponto vermelho fez os cientistas considerarem uma evidência do “comportamento simbólico” dos neandertais, sugerindo que eles tinham a capacidade de pensar de forma abstrata. Segundo a professora é a primeira vez que os cientistas descobrem uma pedra em um contexto arqueológico com um ponto vermelho de ocre, o que significa que os neandertais levaram para o abrigo.
– Esta descoberta contribui para o debate sobre a capacidade dos neandertais de fazer arte, uma vez que representa o primeiro objeto conhecido com marca de pigmento em um sítio arqueológico neandertal- observa a professora
Classificado como “o único objeto de arte portátil pintado pelos neandertais”, pelo secretário de Cultura Gonzalo Santonja ele acrescenta que a pedra era o objeto portátil pintado mais antigo do continente europeu. E os pesquisadores destacaram.
– O seixo do abrigo rochoso de San Lázaro apresenta uma série de características que o tornam excepcional, com base nas quais o classificamos como um símbolo visual que poderia ser considerado uma peça de arte portátil em alguns contextos – afirma o artigo.














