Prisão Domiciliar para Pastor Márcio Poncio: Decisão do STF com Restrições e Monitoramento Eletrônico
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (2) converter a prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio em prisão domiciliar. A medida, que permite que Poncio cumpra a pena em casa, vem acompanhada de rigorosas condições, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e uma série de proibições.
A decisão atende a um pedido da defesa do pastor, que alegou problemas de saúde graves. Márcio Poncio sofre de retocolite ulcerativa grave, necessitando de tratamento contínuo após cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto. Além disso, o estado de saúde de sua esposa, que está grávida de alto risco, também foi levado em consideração pelo ministro.
Apesar da substituição da prisão, o pastor está proibido de manter contato com outros investigados na operação, seja por qual meio for. Ele também não poderá utilizar redes sociais, terá seus passaportes recolhidos e qualquer documento de porte de arma em seu nome será suspenso. A informação foi divulgada pela Polícia Federal, conforme apurado pelo g1.
Investigação da “Máfia do Cigarro” e Lavagem de Dinheiro
Márcio Poncio, conhecido por ser pastor da Igreja da Nuvem e pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, foi preso em um flat na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Ele é investigado por suspeita de envolvimento com a chamada “Máfia do Cigarro”.
A apuração faz parte da quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro. A operação também mira integrantes da cúpula do jogo do bicho e suspeitas de pagamentos ilícitos a agentes públicos. O contraventor Adilsinho e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, já haviam sido presos no âmbito da mesma investigação.
Origem da Operação e Conexões Políticas
A Operação Unha e Carne é um desdobramento da Operação Fumus, iniciada em 2021 para investigar um monopólio na comercialização ilegal de cigarros no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, planilhas apreendidas indicaram supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro.
Documentos apontam possíveis repasses de recursos a pelo menos 20 políticos do Rio de Janeiro, que estariam recebendo pagamentos periódicos atribuídos ao grupo de Adilsinho. O contraventor foi preso em fevereiro deste ano. Em abril, o ministro Gilmar Mendes mencionou relatos sobre mais de 30 deputados da Alerj sob investigação por supostos repasses mensais relacionados ao esquema do jogo do bicho.














