Passagem de ônibus em São Gonçalo sobe para R$ 5,55 após decisão judicial

ônibus em São Gonçalo

O preço da passagem de ônibus em São Gonçalo subiu de R$ 3,95 para R$ 5,55 neste sábado (1º), após autorização judicial publicada no Diário Oficial do município. O reajuste, de 40%, marca o primeiro aumento nas tarifas municipais desde 2017 e ocorre em meio a uma longa disputa entre a prefeitura, o sindicato das empresas e os rodoviários.

A decisão foi proferida pela Justiça após pedido do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário do Rio (Setrerj), que havia solicitado a elevação da tarifa para R$ 5,94, alegando defasagem de custos e falta de compensação financeira pelas gratuidades concedidas aos passageiros. O juiz responsável pelo caso fixou o novo valor em R$ 5,55 como forma de conciliação entre as partes, determinando multa ao prefeito Capitão Nelson (PL) em caso de descumprimento.

A Prefeitura de São Gonçalo tentou reverter a medida por meio da Procuradoria Municipal, mas o recurso foi negado em outubro, consolidando o aumento das tarifas. O decreto que oficializa a nova tarifa foi assinado pelo prefeito e entrou em vigor neste sábado.

O reajuste também colocou fim, ao menos temporariamente, a um impasse entre o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) e as empresas de transporte, que chegaram a ameaçar greve em setembro. A categoria reivindicava reajuste salarial de 15% e melhorias nas condições de trabalho, além da modernização do sistema de cobrança.

O Setrerj afirmou que não havia condições financeiras para atender as exigências dos rodoviários sem o reajuste das passagens, alegando prejuízos acumulados com o congelamento tarifário e com as gratuidades não ressarcidas pela prefeitura. O Ministério Público do Trabalho (MPT) intermediou reuniões entre os sindicatos para evitar paralisações no transporte.

Com o novo valor em vigor, a expectativa é que as negociações salariais entre Setrerj e Sintronac sejam retomadas nas próximas semanas. A prefeitura, por sua vez, informou que segue monitorando o impacto do reajuste e deve propor medidas de compensação social para usuários de baixa renda.

O aumento nas tarifas reacende o debate sobre a mobilidade urbana na Região Metropolitana do Rio, onde o transporte público sofre com falta de integração, frota defasada e custos crescentes. Para especialistas, o reajuste reforça a necessidade de uma política tarifária mais transparente e de investimentos que melhorem a qualidade do serviço oferecido à população.

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