O Rio de Janeiro acaba de ganhar sua primeira usina solar em Santa Cruz, na Zona Oeste, construída sobre um antigo aterro sanitário desativado desde o fim dos anos 1990. Batizado de Solário Carioca, o complexo foi inaugurado neste domingo (2) e marca um novo passo da cidade em direção à sustentabilidade. A iniciativa, realizada por meio de uma parceria público-privada, aproveitou um terreno de 200 mil metros quadrados e instalou 9.214 painéis solares capazes de gerar 5 megawatts de energia por dia — suficiente para abastecer 15 UPAs ou 45 escolas públicas.
A produção permitirá uma economia anual de cerca de R$ 2 milhões nas contas de energia da prefeitura, que atualmente são pagas à concessionária Light. O projeto foi apoiado pela C40, entidade internacional que reúne as principais metrópoles do mundo em torno de ações climáticas, e ganhou destaque na véspera da COP 30, que será realizada em Belém do Pará.
O prefeito Eduardo Paes classificou o Solário Carioca como um marco da política ambiental carioca. “É um exemplo de como podemos transformar o passado em futuro, convertendo uma área antes degradada em um polo de inovação e energia limpa. O Rio reafirma seu compromisso com a sustentabilidade e com o uso inteligente do espaço urbano”, disse.
A parceria público-privada tem duração prevista de 25 anos e foi desenvolvida com apoio técnico da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ). O modelo foi inspirado em experiências internacionais, como as usinas instaladas em antigos aterros de cidades alemãs e na Pirâmide Solar de Curitiba, pioneira na América Latina.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, a escolha do local foi estratégica. “A recuperação de áreas de antigos aterros sanitários é um desafio global. No Rio, transformamos esse passivo ambiental em um ativo energético sustentável”, afirmou.
A prefeitura também estuda implantar novas usinas solares em terrenos ociosos, incluindo outro antigo aterro desativado no bairro de Gericinó, também na Zona Oeste. O objetivo é ampliar a geração própria de energia para 20 megawatts até 2028, reforçando a transição energética da cidade.
O diretor executivo da C40, Mark Watts, destacou a relevância internacional do projeto. “O Solário Carioca mostra como as cidades podem adotar soluções criativas para garantir um futuro mais verde. É uma ação climática urbana ambiciosa e transformadora”, declarou.
Já Jochen Quinten, diretor da GIZ no Brasil, ressaltou o valor simbólico da iniciativa. “A usina de Santa Cruz é um exemplo de como áreas subutilizadas podem se tornar polos de energia limpa e inovação”, afirmou.
Com o Solário Carioca, o Rio de Janeiro não apenas reaproveita um espaço antes degradado, mas também se posiciona como referência nacional em energia solar urbana, transformando lixo em luz e passado em futuro sustentável.














