Passageiros embarcam de graça em ônibus do Rio após problemas com Jaé

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Passageiros embarcam de graça em ônibus do Rio após problemas com Jaé, o novo sistema de bilhetagem que passou a ser obrigatório nos transportes municipais desde o último sábado. Em casos excepcionais, equipes da prefeitura têm orientado usuários a acessar os coletivos pela porta traseira, sem o pagamento da tarifa, quando todas as tentativas de resolver falhas no uso do cartão foram esgotadas.

A medida foi observada principalmente na linha 548 (Botafogo–Alvorada), uma das que substituíram o antigo serviço do Metrô na Superfície. Muitos passageiros tentavam fazer a integração utilizando apenas o Jaé, mas enfrentaram dificuldades como cartão recusado no validador, saldo não reconhecido ou ausência do novo bilhete.

Inicialmente, os agentes municipais orientam os usuários a se cadastrar no sistema, recarregar via aplicativo ou adquirir um cartão avulso. Caso nenhuma dessas alternativas funcione, a pessoa é autorizada a embarcar pela porta de trás. Também foram registrados casos semelhantes com quem não possuía dinheiro em espécie ou apresentava cartões com falhas técnicas.

A prefeitura reforçou que ninguém ficará sem transporte por conta das mudanças. Já o sindicato Rio Ônibus declarou que o pagamento da passagem segue obrigatório, seja com o Jaé ou em dinheiro, e que está em contato com a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) para discutir os problemas registrados.

Entre os afetados está a babá Claudia Nascimento, que relatou dificuldades com o validador ao tentar usar o Riocard. Sem acesso imediato ao Jaé, precisou recorrer a um empréstimo via PIX para conseguir recarregar o novo cartão. “É ridículo isso. E o que a gente faz com o crédito que ficou no cartão antigo?”, questionou.

Apesar das falhas no primeiro dia útil com o sistema exclusivo, a SMTR divulgou que cerca de 1 milhão de embarques foram realizados com o Jaé até o meio-dia de segunda-feira, o que representa 80% do total de passageiros transportados no período. O valor de recargas no último mês chegou a R$ 152 milhões.

A obrigatoriedade do Jaé gerou reclamações também por parte de usuários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) que ainda utilizam o Riocard. Apesar de ainda permitida para este grupo, a integração entre modais apresentou falhas, gerando filas, atrasos e confusão nos pontos de ônibus e estações.

O vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, afirmou que pedirá o adiamento da exclusividade do Jaé até que os problemas de transição sejam resolvidos. “A população não pode pagar o pato porque a prefeitura e o governo do estado não se entendem”, disse.

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