O prefeito do Rio, Eduardo Paes, defendeu que o plano de retomada de territórios dominados pelo crime organizado comece por São Gonçalo, na Região Metropolitana. A proposta prevê ações integradas para sufocar o poder paralelo de facções e milícias.
A declaração acendeu o debate sobre a segurança na Baixada e na Região Metropolitana, onde o domínio territorial impacta diretamente a rotina de milhares de trabalhadores. O avanço da criminalidade afeta desde o valor do transporte até a entrega de mercadorias nas comunidades.
Retomada de territórios do crime começa por São Gonçalo
São Gonçalo é o segundo município mais populoso do estado do Rio de Janeiro e enfrenta problemas históricos com a disputa entre facções criminosas e grupos de milícia. Moradores de bairros como Jardim Catarina, Salgueiro e Itaúna lidam diariamente com barricadas, confrontos armados e cobranças ilegais de taxas sobre serviços básicos.
A escolha do município como ponto de partida para o combate ao crime organizado reflete a necessidade urgente de integrar as forças de segurança com ações sociais e governamentais. A intenção de focar o início dos trabalhos na região busca conter a expansão dos grupos armados que migram da capital para as cidades vizinhas.
Segundo especialistas em segurança pública, a retomada de territórios não exige apenas a presença ostensiva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMRJ) e investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ). É fundamental garantir o retorno de serviços públicos fundamentais, como iluminação pública de qualidade, coleta regular de lixo, postos de saúde funcionais e transporte coletivo sem restrições.
O que muda na rotina de quem mora em São Gonçalo?
Para o trabalhador que pega condução todos os dias e precisa cumprir horários, a expectativa é que a remoção contínua de barricadas recupere o direito básico de ir e vir. Atualmente, diversas linhas de ônibus precisam alterar itinerários ou encurtar caminhos por causa de bloqueios impostos por criminosos em várias vias da cidade.
Além do transporte público, serviços essenciais como caminhões de entrega, distribuidoras de gás, operadoras de internet e até ambulâncias do Samu encontram graves dificuldades de acesso em áreas dominadas. A liberação das ruas promete reduzir os custos de frete e garantir que o cidadão receba atendimentos de emergência sem restrições de horários ou locais.
As escolas da rede municipal e estadual na região também sofrem frequentemente com a rotina de operações e confrontos. O fortalecimento da segurança local visa evitar a interrupção do ano letivo e garantir que crianças e jovens possam frequentar as salas de aula em um ambiente seguro.
O que já se sabe sobre o plano de segurança
A proposta de priorizar a Região Metropolitana envolve a cooperação entre diferentes esferas de governo, incluindo ações de inteligência financeira para cortar o fluxo de caixa do crime. O objetivo principal é sufocar os recursos ilegais que financiam o armamento pesado das quadrilhas na região.
O planejamento prevê a identificação de pontos críticos onde o comércio local é coagido a pagar taxas ilícitas de proteção. As autoridades analisam a criação de forças-tarefa integradas para atuar pontualmente nesses locais sem comprometer o funcionamento do comércio nem a rotina dos moradores.
Outro ponto central diz respeito ao combate às barricadas físicas instaladas pelo tráfico e pela milícia nas ruas secundárias. Equipamentos pesados do estado e das prefeituras devem ser mobilizados em ações contínuas para desbloquear as vias públicas de forma permanente.
Quem responde por isso e como funcionam as ações
As operações ostensivas na região de São Gonçalo são de responsabilidade do 7º Batalhão de Polícia Militar (7º BPM). Já as investigações relativas a homicídios e à atuação de facções ficam a cargo das delegacias da área, como a 73ª DP (Neves), 74ª DP (Alcântara) e 75ª DP (Rio do Ouro), além do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
A Guarda Municipal e a prefeitura local colaboram na organização do trânsito e no apoio aos serviços urbanos, enquanto as forças policiais do estado executam o patrulhamento preventivo e as incursões planejadas nas vias principais e acessos aos bairros.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro reforça que o planejamento estratégico das polícias passa por revisões constantes para priorizar áreas com maiores índices de violência, buscando proteger a população civil durante o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão.
Como denunciar a atuação do crime organizado no seu bairro
Quem mora em áreas afetadas pela presença de criminosos pode colaborar com o trabalho das polícias enviando denúncias de forma totalmente anônima. O sigilo é garantido por lei e as chamadas não ficam registradas nas contas de telefone.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: ligue para o telefone (21) 2253-1177 ou envie mensagem para o WhatsApp no mesmo número.
- Aplicativo Disque Denúncia RJ: disponível para smartphones Android e iOS, permitindo o envio de fotos, vídeos e a localização exata das irregularidades.
- Polícia Militar: para situações de emergência ou flagrantes de crimes no momento em que ocorrem, ligue diretamente para o número 190.
O que fazer se você for vítima de extorsão ou cobrança ilegal
Casos de cobranças indevidas praticadas por milicianos ou traficantes — como taxas cobradas sobre sinal de internet, venda de gás de cozinha ou cobrança por segurança privada — devem ser registrados na polícia para alimentar as investigações.
- Registro Online: acesse o portal da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil para fazer o boletim de ocorrência de forma rápida e sem sair de casa.
- Delegacias Especializadas: crimes cometidos por grupos armados organizados também podem ser relatados diretamente na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO).
- Documentos necessários: para o atendimento presencial em qualquer delegacia, leve um documento oficial de identidade com foto, comprovante de residência e todas as informações que possam ajudar os investigadores.















