O prefeito Eduardo Paes voltou a defender publicamente a licitação do sistema de bilhetagem eletrônica e a criação de uma empresa estatal para gerir o transporte público em todo o estado do Rio de Janeiro. A proposta visa reorganizar a mobilidade e integrar as tarifas de ônibus, trens, metrô e barcas.
A intenção é retirar do setor privado o controle exclusivo da cobrança das passagens e passar a gestão financeira para as mãos do poder público. Segundo defende o município, o modelo atual gera falta de transparência na arrecadação e prejudica a expansão dos benefícios tarifários para a população que depende do transporte diariamente.
Reestruturação do sistema de transportes no Rio de Janeiro
A proposta de criar uma estatal de transportes busca unificar o planejamento das linhas operadas por concessionárias privadas e por órgãos públicos. Atualmente, os serviços estaduais, como SuperVia, MetrôRio e CCR Barcas, funcionam sob regras de concessão distintas das linhas de ônibus municipais do Rio e da Baixada Fluminense.
Com uma empresa pública centralizadora, o governo e as prefeituras teriam acesso direto aos dados de demanda e bilhetagem em tempo real. Isso permitiria ajustar frotas, horários e rotas com mais agilidade, além de garantir maior fiscalização sobre os repasses do Bilhete Único Intermunicipal e dos subsídios pagos às empresas operadoras.
O que muda para o passageiro que pega ônibus e trem diariamente?
Para quem viaja todos os dias trabalhando ou estudando, a mudança principal deve ocorrer no bolso e na facilidade de integração. A meta com a nova bilhetagem pública é permitir que o passageiro utilize um único cartão ou celular para pagar todas as tarifas em diferentes meios de transporte sem complicações.
Além disso, o controle público sobre o caixa do sistema facilita a expansão de integrações tarifárias sem dependência de longas negociações com os empresários do setor. O trabalhador que sai da Baixada e pega ônibus municipal no Rio, por exemplo, terá maior previsibilidade no gasto diário com deslocamento.
Como funciona o modelo de bilhetagem defendido pelo município?
O modelo proposto segue o padrão já implementado na frota municipal do Rio com a Jaé. Nesse formato, a prefeitura contratou uma empresa apenas para gerenciar a tecnologia de cobrança e arrecadar os valores, enquanto o dinheiro das passagens vai para uma conta pública antes de ser repassado aos empresários.
Dessa forma, as empresas de ônibus deixam de receber pelo total de passageiros pagantes e passam a ser remuneradas por quilômetro rodado ou cumprimento de meta de frota. Essa mudança força o aumento da oferta de ônibus nas ruas e combate a prática de sumir com linhas em horários de menor movimento.
Quais são os próximos passos para a proposta sair do papel?
Para que a ideia avance em nível estadual, será necessária a aprovação de projetos de lei na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e o aval do Governo do Estado. A criação de uma nova estatal exige autorização legislativa formal e dotação orçamentária para estruturar o novo órgão público.
Enquanto o debate político continua, a Prefeitura do Rio mantém a transição total para o sistema Jaé na capital. O governo do estado e a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) ainda avaliam os termos para eventuais licitações conjuntas ou adesão ao modelo público de bilhetagem nos sistemas sob sua responsabilidade.
A quem recorrer para tirar dúvidas ou fazer reclamações do transporte?
Quem enfrenta problemas diários no transporte público da capital ou da Baixada pode acionar os canais oficiais de fiscalização dos órgãos competentes. Registros de atrasos, superlotação ou falha na leitura de cartões servem para orientar a fiscalização nas ruas.
- Central 1746 (Prefeitura do Rio): Telefone 1746 ou aplicativo 1746 Rio para queixas sobre linhas de ônibus municipais e BRT na capital.
- Ouvidoria da Setram: Atendimento do governo estadual para relatar falhas nos trens da SuperVia, MetrôRio, CCR Barcas e ônibus intermunicipais pelo telefone (21) 2333-9321.
- Procon-RJ: Reclamações sobre cobrança indevida de tarifa podem ser feitas pelo telefone 151 ou pelo site oficial do órgão consumidor.
Foto: Agenda do Poder















