Ato em Frente à Prefeitura de SP Reivindica Ônibus e Pede Impeachment de Ricardo Nunes
Um grupo de manifestantes se reuniu em frente à Prefeitura de São Paulo na noite de quarta-feira (28/10) para expressar descontentamento com o número reduzido de ônibus que circularam no último domingo (25/10), dia do segundo turno das eleições presidenciais. A mobilização também incluiu pedidos pela saída do prefeito Ricardo Nunes (MDB) da administração municipal, em meio a discussões sobre um possível impeachment.
A ação, inicialmente organizada pelo movimento estudantil, ganhou força com a adesão de partidos como o PT e a UP. O ato reflete a insatisfação popular com a gestão municipal, especialmente após os incidentes relacionados ao transporte público no dia da votação. Novas manifestações com as mesmas reivindicações estão previstas para os dias 30 e 31 de outubro, na Praça Roosevelt e na Praça Padre Manuel de Nóbrega, respectivamente.
A polêmica envolvendo a frota de ônibus em São Paulo tem sido um ponto central de críticas ao prefeito Ricardo Nunes. No domingo eleitoral, apenas 8.814 ônibus, cerca de 71% da frota total de pouco mais de 12 mil veículos, estavam em circulação. Essa situação contrariou determinações da Justiça Eleitoral e gerou longas filas e atrasos para os eleitores. Conforme informação divulgada pelo Metrôpoles, a situação foi um dos motivos para a ampliação inédita do horário de votação em todo o país.
Comissão de Vereadores Avalia Pedido de Impeachment de Ricardo Nunes
Paralelamente ao protesto, uma comissão de sete vereadores da Câmara Municipal de São Paulo iniciou a avaliação de um pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes. O pedido foi protocolado na terça-feira (27/10) por três vereadores do PSol, com a alegação principal de descumprimento da decisão judicial que exigia a disponibilização de 100% da frota operacional de ônibus no dia da eleição. A comissão terá até dez dias para analisar a admissibilidade do pedido.
Prefeitura Justifica Frota Reduzida por Falta de Motoristas
Em coletiva de imprensa na terça-feira (27/10), Ricardo Nunes rebateu as críticas, afirmando que a oferta de ônibus foi “muito maior do que a demanda” e que ninguém deixou de votar por falta de transporte. O prefeito atribuiu a frota reduzida à ausência de motoristas, que não teriam tido tempo hábil para serem convocados após o recebimento da notificação oficial da Justiça Eleitoral. Segundo Nunes, a prefeitura recebeu o despacho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 13h10 e enviou a ordem às empresas de ônibus às 13h32 no sábado, dia anterior à eleição.
Frota Reduzida de Ônibus Impactou o Dia da Eleição
A redução na frota de ônibus em São Paulo foi um dos fatores que levaram à extensão do horário de votação em todo o país, que foi estendido até as 19h. Em algumas linhas, a situação era ainda mais crítica, com mais ônibus nas garagens do que em circulação. A linha Vila Carrão – Praça da Sé, por exemplo, teve apenas um veículo em operação no início da tarde, de um total de 17. Em contraste, no Rio de Janeiro, a taxa de circulação era de 100% no mesmo período, desconsiderando ônibus em manutenção.
Decisão Judicial Exigia 100% da Frota em Operação
A determinação da Justiça Eleitoral, emitida na sexta-feira (23/10), exigia que a prefeitura e a SPTrans mantivessem 100% da frota de ônibus em operação no domingo, em níveis equivalentes aos de dias úteis. O descumprimento dessa ordem motivou a campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a protocolar pedidos no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) para a ampliação do horário de votação, medida que gerou debates e críticas de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).













