A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro cumpriu mandados contra uma quadrilha especializada em golpes do consórcio falso na manhã desta quinta-feira. O grupo enganava trabalhadores prometendo a liberação rápida de crédito para a compra de imóveis e veículos em escritórios espalhados pela capital e pela Baixada Fluminense.
As investigações apontam que dezenas de vítimas perderam economias de uma vida inteira ao pagar entradas para financiamentos que nunca existiram. Agentes foram às ruas cumprir mandados de busca, apreensão e prisão expedidos pela Justiça do Rio.
Como funcionava a fraude dos falsos consórcios no estado do Rio
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha atuava montando escritórios em pontos movimentados do Centro do Rio, de Nova Iguaçu e de Duque de Caxias. Eles publicavam anúncios tentadores nas redes sociais oferecendo facilidades que não existem no mercado tradicional, como aprovação imediata para negativados e liberação do dinheiro em até 48 horas.
Quando o cliente chegava ao escritório, os vendedores usavam técnicas ostensivas de persuasão. Convenciam o trabalhador a assinar um contrato complexo e a pagar uma taxa inicial, que variava entre R$ 2 mil e R$ 15 mil. Os golpistas afirmavam que o valor era a entrada do bem ou a primeira parcela de um crédito já aprovado.
Após a assinatura e o pagamento do boleto ou transferência via Pix, a promessa não se cumpria. Quando a vítima cobrava o valor ou a entrega do veículo, a empresa alegava que o cliente havia aderido a um consórcio comum e que precisava aguardar o sorteio por lances. Ao pedir o cancelamento e a devolução do dinheiro, os lesados descobriam cláusulas abusivas com multas que consumiam todo o valor pago.
Quais foram os alvos e locais atingidos pela operação?
A ação ostensiva mobilizou equipes de delegacias especializadas e distritais. Os policiais interceptaram endereços comerciais utilizados pela organização criminosa e residências de suspeitos de integrar o esquema de estelionato e associação criminosa.
Durante as buscas, os agentes apreenderam computadores, contratos de adesão, telefones celulares, máquinas de cartão de crédito e documentos de movimentação financeira. O material recolhido passará por perícia técnica para identificar outros integrantes da rede e mapear o valor total movimentado pelo grupo.
A Polícia Civil informou que os responsáveis pelas empresas de fachada responderão por estelionato, organização criminosa e crimes contra a economia popular. Os nomes dos investigados e das marcas fantasia não foram divulgados para não atrapalhar o andamento dos inquéritos vinculados.
O que fazer se você foi vítima do golpe do consórcio?
Se você assinou um contrato enganoso e pagou valores sob a promessa de liberação imediata de dinheiro, o primeiro passo é juntar todas as provas possíveis. Separe comprovantes de pagamento, conversas em aplicativos de mensagem, anúncios impressos ou prints de redes sociais e o contrato assinado.
Com esses documentos em mãos, procure a delegacia de polícia mais próxima da sua residência ou o local onde o contrato foi firmado. Você também pode registrar o Boletim de Ocorrência pela internet, por meio do portal oficial da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Em seguida, informe o caso ao Procon-RJ e busque auxílio jurídico na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro caso não tenha recursos para contratar um advogado. O atendimento presencial da Defensoria pode ser agendado pelo telefone 129 ou pelo aplicativo oficial do órgão.
Como denunciar empresas suspeitas de fraude financeira?
A colaboração da população é fundamental para que as forças de segurança consigam fechar escritórios clandestinos e prender estelionatários na região metropolitana do Rio.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: Ligue para o número (21) 2253-1177 ou envie mensagem pelo WhatsApp (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia e garante anonimato absoluto.
- Delegacia Eletrônica: Acesse o site oficial da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para registrar ocorrências de estelionato sem sair de casa.
- Procon do Estado do Rio de Janeiro: Faça a queixa pelo site oficial ou no posto presencial do Poupatempo para ajudar a suspender a inscrição estadual da empresa fraudulenta.
Como se proteger e identificar se a empresa é legal?
Para não cair em golpes de financiamento, o consumidor deve adotar cuidados básicos antes de fazer qualquer transferência bancária ou assinar documentos comercializados por intermediadores.
A regra principal é verificar se a administradora de consórcio tem autorização de funcionamento emitida pelo Banco Central do Brasil. Essa consulta pode ser feita gratuitamente no site oficial do Banco Central inserindo o nome da empresa ou o CNPJ.
Desconfie imediatamente de promessas de contemplação rápida, crédito garantido sem consulta ao SPC/Serasa ou parcelas muito abaixo da média praticada pelos grandes bancos. Nenhuma empresa séria de consórcio pode garantir a data de contemplação de uma cota no momento da venda.













