Fiesp critica fim da escala 6×1 e aponta riscos de informalidade e aumento de custos
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou forte crítica à recente aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, modalidade que estabelece seis dias de trabalho seguidos por um de descanso. A entidade, através de seu presidente Paulo Skaf, avalia que a mudança, aprovada em dois turnos no Senado Federal, pode acarretar um aumento na informalidade e, consequentemente, elevar os custos para a sociedade brasileira.
Segundo Skaf, a decisão foi tomada de forma apressada, sem o debate aprofundado que um tema de tamanha relevância exigiria. A preocupação é que a medida se torne uma ‘PEC Boca de Urna’, ou seja, aprovada sem a devida discussão e reflexão. A Fiesp argumenta que nenhum país no mundo engessa a escala de trabalho em sua Constituição, alertando que decisões açodadas trazem um preço alto.
A entidade prevê que setores essenciais como saúde, educação, transporte, supermercados e a indústria química serão diretamente impactados. Além disso, Skaf aponta para a possibilidade de migração para o trabalho informal, o aumento no custo de vida, como no boleto do condomínio, e outras despesas que pesarão no bolso dos cidadãos e nos custos operacionais das empresas. Conforme informação divulgada pela Fiesp, a conta dessa decisão recairá sobre toda a sociedade.
Impactos Setoriais e na Vida do Cidadão
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que a proibição da escala 6×1 pode gerar um efeito cascata negativo. Setores que dependem de atendimento contínuo, como hospitais e serviços de emergência, podem enfrentar dificuldades logísticas e de pessoal. Da mesma forma, o varejo e o transporte, que operam com horários estendidos, terão seus custos elevados para manter a mesma qualidade de serviço.
A informalidade é outro ponto de grande preocupação. Com o aumento dos custos para as empresas, a tendência pode ser a de buscar alternativas menos formais de contratação, o que, a longo prazo, prejudica tanto o trabalhador quanto a arrecadação de impostos. A Fiesp defende que a flexibilidade nas escalas de trabalho é fundamental para a competitividade das empresas e para a geração de empregos formais.
O Processo de Aprovação da PEC
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 foi aprovada em dois turnos no Senado Federal. O texto recebeu 75 votos a favor em ambas as votações, com apenas um voto contrário, o do senador Hamilton Mourão. A PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e agora segue para promulgação. Esta matéria é considerada uma pauta prioritária para o atual governo.
Posicionamento da Fiesp sobre Flexibilidade Trabalhista
A Fiesp sempre defendeu a importância do debate sobre as relações de trabalho, buscando um equilíbrio entre os direitos dos trabalhadores e a necessidade de as empresas se manterem competitivas em um mercado globalizado. A entidade acredita que a rigidez excessiva na legislação trabalhista pode levar a resultados indesejados, como o aumento da informalidade e a perda de postos de trabalho. A crítica ao fim da escala 6×1 se insere nesse contexto, como um alerta sobre as potenciais consequências negativas de decisões tomadas sem a devida análise de seus impactos socioeconômicos.













