PF deflagra 2ª fase da Operação Anáfora contra lavagem de dinheiro desviado da Saúde no Rio de Janeiro
A Polícia Federal (PF) deu início nesta terça-feira, 30, à segunda fase da Operação Anáfora, com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro oriunda do desvio de recursos públicos destinados à saúde. A ação visa desarticular uma complexa organização criminosa que opera há décadas no estado.
Esta nova etapa da investigação aprofunda os atos de lavagem de dinheiro identificados desde a primeira fase da operação, ocorrida em setembro de 2022. Naquela ocasião, o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), e o empresário Mário Peixoto foram alguns dos alvos.
As apurações indicam que os investigados utilizam métodos como a ocultação de bens em nome de terceiros, a realização de despesas incompatíveis com suas declarações financeiras e a participação em negociações imobiliárias suspeitas. Conforme divulgado pela PF, os envolvidos responderão por crimes como organização criminosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro.
Mandados de Busca e Apreensão Cumpridos
Ao todo, foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão, sendo 10 pela 6ª Vara Federal Criminal e outros 4 pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Alguns dos alvos possuem foro privilegiado, o que justifica a atuação da segunda instância.
Na primeira fase da Operação Anáfora, em setembro de 2022, foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão. Naquele momento, Washington Reis era candidato a vice-governador do Rio de Janeiro, mas acabou sendo substituído na chapa.
Esquema de Desvio de Recursos na Saúde
A investigação aponta para um suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Caxias. O contrato e seus aditivos ultrapassaram a marca de R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos, segundo as informações divulgadas pela PF.
De acordo com a Polícia Federal, a cooperativa em questão pertence a uma organização criminosa estruturada e complexa, que vem operando no Rio de Janeiro há décadas, especialmente na área da saúde, através de um contexto de corrupção sistêmica e desvio de recursos públicos.
Histórico de Investigações e Envolvidos
O empresário Mário Peixoto, também alvo na primeira fase, já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) após a Operação Favorito, em maio de 2020. Ele foi apontado como beneficiário em um esquema de corrupção durante o governo de Wilson Witzel. A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) seguem com as investigações.
A lavagem de dinheiro é o foco principal desta segunda fase, buscando rastrear e recuperar os valores desviados que foram ocultado por meio de diversas manobras financeiras. A atuação conjunta da PF e da CGU é fundamental para a desarticulação completa do esquema.














