Quem conversa com turista hoje no Rio percebe um padrão. A cidade encanta, isso nunca mudou. Mas quase sempre vem junto um comentário incômodo. Está tudo caro demais.
E aqui vale separar as coisas com clareza. O Rio não é uma cidade barata. Nunca foi. Mas existe uma diferença enorme entre preço alto e preço abusivo. E o turista percebe isso com muita facilidade.
Pagar caro por um bom serviço faz parte do jogo. Agora pagar caro e sentir que foi enganado é outra história.
E exemplos não faltam.
Quiosque cobrando valores completamente fora da realidade por uma cerveja ou um prato simples, sem qualquer diferencial de serviço. Taxa que aparece na conta sem explicação. Cardápio pouco claro. Preço que muda dependendo de quem está sentado na mesa.
Passeios vendidos sem transparência, onde o cliente compra uma coisa e recebe outra. Transfer com preço inflado em cima da hora, aproveitando a falta de opção do turista. Cobranças adicionais que só aparecem quando o serviço já começou.
Isso não é exceção. Está cada vez mais comum.
E o problema não é só o valor. É a sensação de desorganização e falta de regra.
O turista não se incomoda de pagar. Ele se incomoda de não entender pelo que está pagando.
E quando isso acontece, o impacto vai muito além daquela venda.
Ele não volta. E pior, ele fala. Hoje qualquer experiência ruim vira avaliação no Google, vira vídeo, vira alerta para outros viajantes. Em poucas horas, um problema pontual vira percepção geral.
Enquanto isso, seguimos tratando esse tipo de prática como algo normal. Como se fosse parte do “jeitinho” do destino.
Não é.
E está passando da hora de tratar com mais seriedade.
Cadê a fiscalização?
Cadê a presença mais ativa nos pontos turísticos, nos quiosques, nos serviços que lidam diretamente com o visitante?
Não se trata de perseguir ninguém. Se trata de organizar o jogo.
Porque quem trabalha certo também é prejudicado quando o mercado fica solto.
O Rio tem um dos maiores potenciais turísticos do mundo. Mas potencial sozinho não sustenta reputação.
Se a cidade quer se posicionar como destino global, precisa garantir o básico. Clareza, transparência e respeito com quem está visitando.
Valorizar o produto é correto.
Mas explorar o turista nunca foi e nunca será estratégia.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














