O Monstro de Gila possui a capacidade de controlar níveis de açúcar no sangue e ajuda o ser humano

Monstro de Gila

Um lagarto que tem uma capacidade surpreendente e acabou ajudando a humanidade. Este é o Monstro de Gila. O que deixou pesquisadores norte-americanos empolgados, ao examinar o lagarto nativo de desertos da América do Norte, em 1990, foi a descoberta de uma enzima incrível em seu veneno, capaz de controlar seu metabolismo e fazê-lo desacelerar, ou seja, o lagarto Heloderma suspectum produz um hormônio capaz de controlar os níveis de açúcar do próprio sangue. Na prática, a exendina-4, como foi chamada a enzima, serve para manter o lagarto nutrido por longos períodos de tempo.
– As toxinas evoluem para desempenhar funções muito específicas, como se defender contra predadores ou incapacitar suas presas. E estamos sempre explorando diferentes tipos de toxinas para encontrar usos alternativos para elas. Então observamos que além de ter um efeito sobre a presa, o hormônio presente no veneno do monstro-de-gila parecia ajudar o metabolismo deste lagarto a desacelerar a tal ponto, que ele é capaz de sobreviver por até um ano com apenas seis refeições, como foi visto em pesquisas da Universidade de Queensland, na Austrália – contou o professor Kini especialista na área de toxinas.

Ao investigar os efeitos da enzima, os cientistas descobriram que ela tem efeitos similares aos do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo intestino humano que regula o nível de açúcar no sangue, essencial para o tratamento da diabetes tipo 2. O GLP-1 aumenta a secreção de insulina e retarda o esvaziamento gástrico, o que dá a sensação de saciedade comum aos remédios como o Ozempic que revolucionou o tratamento da obesidade.

Todos os medicamentos desenvolvidos a partir da exendina-4 são agonistas de GLP-1, o que significa que imitam o hormônio natural, com a diferença de atuarem de forma mais eficaz e por mais tempo.

Dentre os vários medicamentos surgidos desde o começo dos anos 2000, a fama do Ozempic se difundiu pela eficácia clínica com um impacto menor de custos, com uma molécula desenhada para resistir à degradação do corpo e que pode ser aplicada apenas uma vez por semana, algo inédito na classe de medicamentos similares.

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