Durante muitos anos quem trabalha com turismo no Rio de Janeiro repetiu a mesma pergunta: como uma das cidades mais conhecidas do planeta podia ter um aeroporto internacional praticamente vazio?
O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, já foi a principal porta de entrada do Brasil para o mundo. Mas, ao longo da última década, assistimos a um processo silencioso de perda de relevância. Rotas internacionais foram canceladas, companhias aéreas reduziram frequências e o protagonismo acabou migrando para outros aeroportos do país.
Nos últimos dias, porém, uma notícia reacendeu o otimismo no setor.
A companhia aérea Gol anunciou que transformará o Galeão em seu hub internacional, ampliando a malha aérea para destinos na América do Norte e na Europa, incluindo novas ligações como a rota direta entre Rio de Janeiro e Nova York.
A decisão vem em um momento estratégico para a cidade. Em 2025, o Rio registrou recorde de 2,1 milhões de turistas estrangeiros, demonstrando que a demanda internacional continua forte.
Para quem trabalha diariamente com visitantes — guias, motoristas, hotéis, restaurantes, agências e operadores — essa notícia tem um significado que vai muito além da aviação.
Ela representa conectividade.
E conectividade, no turismo, significa desenvolvimento.
Quando um destino possui mais voos internacionais diretos, ele automaticamente se torna mais competitivo no mercado global. O turista escolhe destinos que sejam fáceis de chegar. Companhias aéreas escolhem aeroportos que tenham demanda. E empresas escolhem cidades que estejam conectadas ao mundo.
Durante muito tempo, o Rio viveu um paradoxo: era um dos destinos mais desejados do planeta, mas cada vez mais difícil de acessar.
Recuperar o Galeão como hub internacional não é apenas uma decisão operacional de uma companhia aérea. É parte de uma estratégia mais ampla de reposicionar o Rio de Janeiro no mapa da aviação global.
Nos últimos anos, houve uma série de movimentos importantes nesse sentido: incentivos para novas rotas, ações de promoção internacional do destino e uma articulação entre governo, companhias aéreas e o trade turístico para reequilibrar o sistema aeroportuário da cidade.
Esse esforço começa agora a mostrar resultados.
Mais voos significam mais turistas.
Mais turistas significam mais empregos.
E mais empregos significam uma economia local mais forte.
Mas é importante dizer: esse é apenas o começo.
Transformar o Galeão novamente em um grande hub internacional exige continuidade. Exige planejamento de longo prazo, promoção internacional constante e, principalmente, uma visão estratégica de que o turismo não é apenas lazer — é indústria.
Uma indústria que movimenta hotéis, restaurantes, transporte, cultura, entretenimento e comércio.
O Rio de Janeiro tem algo que nenhuma outra cidade do mundo consegue replicar: natureza, cultura, história e uma identidade única.
O que sempre faltou, muitas vezes, foi facilitar o caminho até aqui.
Se o Galeão voltar a cumprir o papel de grande porta de entrada internacional do Brasil, não será apenas uma vitória da aviação.
Será uma vitória do turismo.
E, acima de tudo, uma vitória da cidade.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














