Durante anos eu observei a mesma coisa no mercado: destino que não investe em promoção simplesmente sai do radar
Por isso, ver as novas campanhas internacionais da Embratur ganhando corpo é, sim, uma boa notícia para quem vive o turismo na prática — não na teoria.
Promoção internacional não é luxo. Não é perfumaria. É sobrevivência econômica.
O mundo está disputando turista. Portugal disputa, México disputa, Colômbia disputa, República Dominicana disputa. Todos com estratégia, investimento constante e narrativa clara. Enquanto isso, nós, com uma das maiores diversidades naturais e culturais do planeta, por vezes agimos como se o turista fosse bater na nossa porta por acaso.
Não bate.
O que me chama atenção nas campanhas recentes é a tentativa de mostrar um Brasil mais completo. Não apenas o cartão-postal óbvio, mas a experiência, a cultura, a sustentabilidade, a gastronomia, a potência criativa. Isso dialoga com o viajante atual, que quer história, autenticidade e propósito.
Quem está na ponta — como nós, que recebemos turistas todos os dias — sente imediatamente quando o Brasil está sendo promovido de forma estruturada. A consulta aumenta, o interesse cresce, o destino volta para a mesa das operadoras internacionais.
E isso gera emprego. Gera renda. Gera movimento na economia real.
Turismo não é discurso ideológico. É indústria.
É hotel cheio, restaurante funcionando, guia trabalhando, motorista rodando.
Apoiar uma estratégia consistente de promoção internacional é defender desenvolvimento. Simples assim.
Claro que campanha sozinha não resolve tudo. Segurança, conectividade aérea, qualificação profissional e infraestrutura continuam sendo pilares essenciais. Mas sem promoção, nada disso se converte em fluxo.
O Brasil precisa continuar contando sua própria história. Precisa se posicionar de forma contínua e estratégica. Não podemos viver de ciclos curtos ou ações pontuais.
Se há um setor capaz de distribuir riqueza de maneira rápida e descentralizada, esse setor é o turismo.
Que as campanhas sejam o início de uma política permanente — e não apenas uma fase.
O Brasil tem produto.
Agora precisa manter a constância.
E constância é o que transforma potencial em resultado.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














