Prefeito Ricardo Nunes busca valorizar auditores com aumento salarial expressivo, mas medida levanta debates sobre a efetividade da Controladoria Geral do Município.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), apresentou um projeto de lei que visa aumentar em até 57% os salários dos auditores de finanças do município. A proposta estabelece um piso salarial de R$ 21,5 mil e uma gratificação mensal de R$ 2 mil para todos os servidores lotados na Controladoria Geral do Município (CGM).
A medida, segundo a justificativa oficial, tem como objetivo valorizar os quadros técnicos responsáveis pelo controle interno e combater a evasão profissional. No entanto, o projeto surge em um momento de críticas à baixa produtividade da CGM, especialmente no que diz respeito à elaboração de relatórios de auditoria.
A Controladoria Geral do Município é o órgão encarregado de fiscalizar os gastos públicos, combater a corrupção e defender o patrimônio municipal. A falta de produção de relatórios recentes tem gerado questionamentos sobre sua efetividade e a relevância do aumento proposto. As informações foram divulgadas pela imprensa.
Aumento Salarial e Gratificações na CGM
O projeto de lei proposto por Ricardo Nunes prevê um aumento significativo para os auditores de finanças, com um piso salarial de R$ 21,5 mil. Além disso, a gratificação mensal, que atualmente é de R$ 700, subiria para R$ 2 mil para todos os servidores da CGM. Essa gratificação visa, de acordo com a prefeitura, a valorização e o fortalecimento dos quadros técnicos.
A prefeitura argumenta que a proposta busca mitigar a evasão profissional e fortalecer a integridade e a capacidade institucional da administração pública. A iniciativa visa ainda restabelecer a competitividade remuneratória da carreira e enfrentar a saída de profissionais qualificados.
A prefeitura de São Paulo informou que os percentuais mencionados pela reportagem não correspondem ao reajuste previsto. Segundo a nota oficial, a proposta prevê uma atualização de aproximadamente 25% no subsídio da carreira de Auditor Municipal de Controle Interno (AMCI). A Gratificação Especial pela Prestação de Serviços de Controladoria (GEP) já existe e não é exclusiva dos auditores.
Críticas à Baixa Produtividade da CGM
A proposta de aumento salarial para os auditores da CGM ocorre em paralelo a questionamentos sobre a baixa produção de relatórios de auditoria pelo órgão. Relatos indicam que a CGM produziu poucos relatórios nos últimos anos, o que levanta dúvidas sobre sua atuação fiscalizatória.
Em comparação, em 2019, foram publicados 30 relatórios de auditoria e 15 notas técnicas. Nos anos mais recentes, a publicação de documentos tem sido escassa, com um relatório em 2025 e dois em 2024. O site da CGM chegou a não exibir nenhum relatório referente ao ano de 2026, um em 2025 e dois em 2024, antes de uma atualização.
O relatório de 2025 da CGM aponta que, embora 21 trabalhos entre auditorias e consultorias estivessem previstos, parte deles foi cancelada ou suspensa. Ao final do ano, apenas 14 “avaliações” foram realizadas, além de sete trabalhos de apuração, com cinco concluídos.
Comparativo com Outras Carreiras e Justificativas Oficiais
O aumento salarial proposto para os auditores de finanças tem gerado comparações com a carreira de Analista em Políticas Públicas. Essa categoria vê a diferença salarial aumentar para até R$ 15 mil mensais, sem considerar os bônus exclusivos para quem trabalha na CGM.
As carreiras de Auditor Municipal de Controle Interno (AMCI) e Analista de Políticas Públicas e Gestão Governamental (APPGG) foram criadas em 2015, inspiradas em modelos federais onde os salários são idênticos. A proposta de Nunes reverteria essa lógica, com novos servidores da controladoria ganhando mais que analistas com 10 anos de carreira.
A prefeitura justifica a proposta como um meio de valorizar os quadros técnicos e garantir uma administração pública mais íntegra e preparada para os desafios da cidade. A CGM também aponta uma mudança metodológica na Auditoria Geral, com planejamento baseado em riscos e critérios de priorização, além do monitoramento de recomendações.
Posicionamento da Prefeitura e Mudanças Metodológicas
Em nota, a Prefeitura de São Paulo esclareceu que os percentuais de aumento mencionados não correspondem ao reajuste previsto no Projeto de Lei, que seria de aproximadamente 25% no subsídio da carreira de AMCI. A GEP, gratificação já existente, não é exclusiva dos auditores.
A prefeitura ressalta que, com as duas alterações, o reajuste pode chegar a 32% para os auditores lotados na Controladoria. O órgão argumenta que o índice considera a dimensão e complexidade da Administração Pública de São Paulo, além de buscar restabelecer a competitividade remuneratória e combater a evasão profissional.
Quanto ao número de auditorias, a prefeitura atribui a variação a uma mudança metodológica, que passou a adotar planejamento baseado em riscos e critérios de priorização. A CGM também destacou ter alcançado o Nível 2 do Modelo de Capacidade de Auditoria Interna (IA-CM), com apoio do Banco Mundial.














