Um estudo da universidade em Houston, no Texas, vai contra tudo que a antropologia afirma, ou seja, os primeiros humanos não eram temidos como se imaginou durante muito tempo. Diferente disso, o estudo afirma que há cerca de dois milhões de anos, estes primeiros representantes do gênero Homo eram devorados por leopardos.
Durante décadas, todos os estudos afirmavam que o Homo habilis marcava a virada para a humanidade, em que a espécie era capaz de caçar, cortar e comer carne, deixando de ser uma presa. Então, utilizando a inteligência artificial, a equipe liderada pelo antropólogo Manuel Domínguez-Rodrigo, da Universidade Rice, revela uma história bem diferente.
Foram aplicados modelos de inteligência artificial a ossos encontrados na ‘Garganta de Olduvai’, importante sítio paleontológico na Tanzânia. Estes modelos foram treinados para reconhecer as marcas de dentes deixadas por vários predadores, desde leões a crocodilos – explica o professor Manuel Domínguez-Rodrigo.
Os resultados mostraram precisão superior a 90%, indicando que algumas mordidas provinham de leopardos, que não se limitavam a comer carniça: caçavam ativamente os hominídeos vulneráveis. Este resultado comprovou que o Homo habilis não era o caçador dominante descrito pela antropologia, mas apenas uma presa entre outras. Ao analisar padrões microscópicos, a I.A. permitiu determinar a espécie responsável por uma mordida com milhões de anos.
Este método abre um caminho inédito: o de uma paleontologia aumentada pelo digital. Nossa equipe pretende agora estender estas análises a outros fósseis da África Oriental para reconstituir o momento preciso em que o humano realmente ganhou vantagem sobre os seus predadores – observa o professor Manuel Domínguez-Rodrigo.
Fonte: Annals of the New York Academy of Sciences














