Nova técnica de retirada da próstata reduz custos e fortalece tratamento no SUS

Hospital Universitário Pedro Ernesto

A nova técnica de retirada da próstata reduz custos e fortalece o tratamento no SUS ao oferecer uma alternativa eficaz e economicamente viável para pacientes com câncer de próstata. O método, chamado Prostatectomia Radical Anterógrada Aberta (AORP), começou a ser difundido de forma permanente pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ampliando a capacidade de atendimento no sistema público.

O programa foi iniciado no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), onde 12 médicos residentes do serviço de Urologia passam a receber treinamento estruturado. As aulas combinam conteúdo teórico e prática supervisionada, realizadas semanalmente, com foco em padronização técnica e segurança cirúrgica.

Apesar do nome técnico, a proposta é clara: realizar a cirurgia aberta com a mesma lógica anatômica aplicada na cirurgia robótica, porém sem a dependência de equipamentos de alto custo. A técnica foi desenvolvida e aprimorada ao longo de mais de uma década dentro da própria universidade, com base em pesquisa clínica e validação científica.

Entre os diferenciais, está o rigor oncológico aliado à preservação funcional, dois fatores considerados essenciais no tratamento do câncer de próstata. Segundo os especialistas envolvidos, os resultados obtidos seguem padrões equivalentes aos da cirurgia realizada com auxílio de robô.

O impacto financeiro é um dos pontos mais relevantes. Enquanto o procedimento robótico exige equipamentos importados, manutenção especializada e insumos de alto valor, a técnica aberta representa, em média, cerca de 10% do custo da versão tecnológica. Essa diferença pode transformar a realidade de hospitais públicos.

De acordo com o urologista e pesquisador Fabrício Carrerette, responsável pelo curso, o objetivo é formar profissionais capazes de multiplicar o conhecimento. “Estamos formando multiplicadores. Nossos residentes vêm de várias regiões do país e, ao retornarem aos seus estados, levam uma técnica reprodutível, eficaz e economicamente sustentável”, afirmou.

Na prática, a retirada da próstata passa a ser viável em diferentes estruturas hospitalares, inclusive em unidades que não dispõem de robótica. Isso significa ampliar o acesso ao tratamento de qualidade dentro do Sistema Único de Saúde, reduzindo desigualdades regionais.

A iniciativa reforça o papel da UERJ como referência em cirurgia aberta com base anatômica moderna e amplia a rede de qualificação médica. Em breve, o treinamento também deverá ser oferecido a ex-residentes que atuam em outros estados, expandindo o alcance da técnica.

Em um cenário em que tecnologia de ponta muitas vezes esbarra no orçamento público, a inovação pode estar justamente na adaptação inteligente do conhecimento já validado — e o impacto dessa estratégia pode redefinir o acesso ao tratamento oncológico nos próximos anos.

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