Noca da Portela recebeu homenagens de sambistas, familiares e admiradores após morrer aos 93 anos, no último domingo (17). Ícone da Portela e nome fundamental da história do samba, o compositor será velado na terça-feira (19), das 8h às 14h, na quadra da escola, em Madureira.
A morte do artista provocou forte comoção no meio musical. Nas redes sociais, em vídeos e até durante apresentações, nomes importantes do samba lamentaram a partida de Osvaldo Alves Pereira, conhecido nacionalmente como Noca da Portela.
Neguinho da Beija-Flor foi um dos artistas que prestaram homenagem ao compositor e destacou a importância de seu legado para a cultura brasileira.
“Meu amigo de longa data, vá com Deus, grande Noca da Portela. Seu legado será lembrado eternamente, não só no samba, mas na cultura do nosso país”, disse Neguinho da Beija-Flor ao g1.
Durante show realizado no domingo à noite, no Vivo Rio, Pretinho da Serrinha também homenageou Noca ao interpretar “Caciqueando”, composição feita em parceria com Amauri e Valmir dos Santos e eternizada nas vozes de Beth Carvalho e Fundo de Quintal.
“Obrigado, seu Noca!”, cantou Pretinho da Serrinha, em homenagem ao compositor, segundo o g1.
Xande de Pilares, que trabalhou com Noca em seu último projeto, também se manifestou e lembrou a oportunidade de dividir música com o sambista.
“Tive a oportunidade de gravar com ele em seu último trabalho. Que Deus o receba da mesma forma que o enviou à Terra e que o samba bata palmas para ele, como merece. Salve Noca, salve o samba”, disse Xande de Pilares ao g1.
Dudu Nobre ressaltou a dimensão artística de Noca da Portela e classificou a perda como um momento triste para o samba e para a música popular brasileira.
“Um dia muito triste para o samba e para a música popular brasileira. A gente está se despedindo de um dos grandes gênios da composição de samba. Um dos grandes sambistas da nossa história. Tive o prazer de gravar ‘É preciso muito amor’. E, para a gente, é uma tristeza muito grande quando a gente perde um sambista desse tamanho, é uma nova estrela que vai brilhar no céu”, disse Dudu Nobre ao g1.
Diogo Nogueira também lamentou a morte do compositor e destacou a importância de Noca para a continuidade do samba.
“Mais um sambista que pavimentou toda uma estrada para a gente estar aqui, sustentando essa bandeira e mantendo a chama acesa. Eu quero lembrar desse homem assim, sorrindo e cantando”, afirmou Diogo Nogueira ao g1.
A emoção também tomou conta da família. Noca Neto, neto do compositor, falou sobre a dor da despedida e a gratidão pelo legado deixado pelo avô.
“É um momento muito difícil para a nossa família, mas também de muita gratidão por tudo o que ele representou para o samba e para a cultura brasileira. Ele sempre dizia que o samba é união, respeito e amor às pessoas. Agradecemos o carinho que estamos recebendo de amigos, fãs e admiradores”, disse Noca Neto ao g1.
Marquinhos de Oswaldo Cruz lembrou da amizade com o sambista e da ligação de ambos com a Portela e com o Fluminense.
“Estou muito triste com a partida de seu Osvaldo, o Noca da Portela, tricolor e portelense como eu. Ele fez a ponte entre os primeiros sambistas e a minha geração. Foi um grande amigo, que me fez me apaixonar pela Portela com a canção: ‘Minha Portela querida, és razão da minha vida’”, afirmou Marquinhos de Oswaldo Cruz ao g1.
Serginho Procópio também exaltou a trajetória do compositor e afirmou que a perda atinge não apenas a Portela, mas toda a música brasileira.
“Perdemos um mestre. Um compositor inspiradíssimo e atento ao cotidiano, à vida e à política. A Velha Guarda da Portela está de luto. O samba está de luto. A música popular brasileira está de luto. O Brasil está de luto”, disse Serginho Procópio ao g1.
Tia Surica, matriarca da Portela e integrante da Velha Guarda, também deixou uma mensagem de despedida.
“Vá em paz, meu amigo Noca. Seguiremos por aqui com a nossa Portela”, declarou Tia Surica ao g1.
Mauro Diniz, filho de Monarco, outro nome histórico da Portela, definiu Noca como referência para as novas gerações.
“Uma referência para todos nós mais jovens. Um exemplo de grande sambista e portelense nato”, afirmou Mauro Diniz ao g1.
A Portela divulgou nota oficial lamentando a morte do artista e decretou três dias de luto oficial. A escola destacou a presença constante de Noca em sua quadra e sua importância para a família portelense.
“Figura querida e sempre presente em nossa quadra, Noca fará muita falta para toda a família portelense. Em nome da presidência do G.R.E.S. Portela, ficam decretados três dias de luto oficial. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e admiradores deste grande artista”, informou a Portela, em nota divulgada pelo g1.
Nascido em Minas Gerais, Noca se mudou ainda criança para o Rio de Janeiro. Sua formação musical começou com estudos de violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil, caminho que ajudaria a construir uma das trajetórias mais marcantes do samba.
Na década de 1960, foi levado por Paulinho da Viola para a Portela. A partir daí, consolidou uma relação profunda com a escola e se tornou autor de sambas-enredo e canções consagradas, além de integrar o Trio ABC da Portela ao lado de Picolino e Colombo.
Entre suas obras mais conhecidas estão “Virada”, gravada por Beth Carvalho, “Portela Querida”, interpretada por Elza Soares, e o samba-enredo “O Homem de Pacoval”, de 1976. Noca venceu sete disputas de samba-enredo na Portela, tornando-se um dos maiores vencedores da história da agremiação.
Também fazem parte de sua trajetória composições como “Recordar é Viver”, “Gosto que me Enrosco”, “Os Olhos da Noite” e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal”. Seu repertório atravessou gerações e ajudou a manter viva a identidade da Portela no samba brasileiro.
O cantor Rixxa, que foi intérprete da escola, também lamentou a perda e lembrou com orgulho de ter gravado uma composição de Noca.
“Perdemos um grande baluarte do samba. Tive a honra de gravar o samba de 1995 que a Portela desfilou brilhantemente. Descanse em paz, mestre”, disse Rixxa ao g1.
A morte do compositor também gerou manifestações fora da Portela. Serginho do Porto, da Unidos da Ponte, prestou solidariedade à família e à comunidade portelense.
“Recebemos com muita tristeza a notícia. Em nome de toda a diretoria e da nação meritiense, deixo nossas sinceras condolências à família e à comunidade portelense. Descanse em paz, nosso baluarte”, afirmou Serginho do Porto ao g1.
Noca estava internado desde 30 de abril em um hospital de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, com infecção urinária. Durante a internação, recebeu visitas dos netos, que cantavam músicas da coletânea “Flores em Vida”, lançada em sua homenagem.
A partir de 9 de maio, o estado de saúde do sambista piorou após o desenvolvimento de pneumonia. Desde o dia 10, ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo. A causa da morte não foi divulgada.
O compositor deixa dois filhos, sete netos e três bisnetos. Com o velório aberto ao público na quadra da Portela, fãs, amigos e admiradores terão a chance de se despedir de um dos grandes nomes que ajudaram a escrever a história do samba no Brasil.














