MPRJ quer condenação de sete envolvidos na tragédia do Ninho do Urubu

tragédia do Ninho do Urubu

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu a condenação dos sete réus acusados pela tragédia do Ninho do Urubu, que em fevereiro de 2019 tirou a vida de dez adolescentes e feriu outros três. O pedido foi feito no domingo (11), por meio da Promotoria de Justiça da 36ª Vara Criminal, e reforça que o incêndio ocorrido no centro de treinamento do Flamengo não foi uma fatalidade, mas uma consequência de decisões negligentes.

Após mais de três anos de instrução criminal e oitiva de mais de 40 testemunhas, o MPRJ afirma que os acusados tinham responsabilidade direta pela estrutura, funcionamento e manutenção do local. Os promotores destacam que o centro operava sem alvará do Corpo de Bombeiros e havia sido autuado diversas vezes antes da tragédia.

Entre os acusados estão diretores do clube, engenheiros responsáveis pelos contêineres usados como alojamento e o técnico de manutenção dos aparelhos de ar-condicionado. A perícia concluiu que o incêndio começou após um fenômeno termoelétrico em um dos aparelhos, agravado pela ausência de manutenção adequada.

Outro ponto de destaque na denúncia é o risco ampliado pela estrutura dos contêineres. Segundo o Ministério Público, os dormitórios tinham apenas uma porta de saída, com janelas gradeadas e portas que emperraram durante o fogo. O material das paredes também não tinha tratamento antichamas, o que facilitou a propagação do incêndio.

“A maior tragédia da história do Flamengo poderia e deveria ter sido evitada”, afirma o MPRJ, que classifica os atos dos acusados como “violação ao dever jurídico de cuidado”.

Veja quem são os sete acusados:

  • Antonio Marcio Mongelli Garotti – ex-diretor financeiro do Flamengo

  • Marcelo Maia de Sá – ex-diretor adjunto de patrimônio

  • Claudia Pereira Rodrigues – responsável por contratos dos contêineres

  • Danilo da Silva Duarte – engenheiro responsável técnico

  • Fabio Hilário da Silva – engenheiro responsável técnico

  • Weslley Gimenes – engenheiro responsável técnico

  • Edson Colman da Silva – técnico da empresa que fazia manutenção dos ar-condicionados

Dos onze denunciados inicialmente, quatro foram retirados do processo por decisão judicial. Um foi absolvido, outro teve prescrição da pena e dois não estavam mais ligados ao clube na época do incêndio.

O MPRJ também destaca que os acusados tinham ciência das irregularidades e mesmo assim mantiveram adolescentes em condições precárias e perigosas. O pedido de condenação inclui a responsabilização penal dos envolvidos por incêndio culposo com resultado morte e lesão corporal.

A sociedade agora aguarda a resposta da Justiça para um episódio que comoveu o país e mudou para sempre o futebol de base no Brasil.

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