MPRJ investiga desvio de R$ 1 milhão por mês no Maracanã

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro instaurou um inquérito para apurar um esquema que pode ter desviado cerca de R$ 1 milhão por mês na venda de ingressos do Maracanã. A investigação aponta superlotação e adulteração nos relatórios das partidas do Flamengo e do Fluminense.

A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. As promotorias identificaram que pelo menos 16 partidas realizadas no estádio da Zona Norte apresentaram irregularidades na contagem de público desde o final do ano passado.

Esquema de venda acima do limite gera rombo milionário no estádio

Segundo os dados do inquérito civil aberto em agosto, a suspeita é de que ingressos tenham sido vendidos bem acima da capacidade máxima permitida para cada setor do Maracanã. A manobra ocorria principalmente nos jogos em que a dupla Fla-Flu atuava como mandante, além do clássico da final do Campeonato Carioca.

A investigação aponta que 11 partidas do Clube de Regatas do Flamengo e quatro do Fluminense Football Club apresentaram público muito superior ao limite de segurança. A comercialização em excesso garantia faturamento extra fora do controle dos borderôs oficiais, enquanto os relatórios financeiros registravam números menores para fraudar impostos e repasses fiscais.

A gestão do estádio é realizada pela empresa Fla-Flu Serviços S.A., formada em conjunto pelos dois clubes cariocas. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro quer entender quem autorizou a emissão dessas entradas extras e para onde foi o dinheiro arrecadado sem o devido registro legal.

Risco para o torcedor e falhas no policiamento

O impacto do esquema vai além do prejuízo financeiro e atinge diretamente a segurança de quem vai ao estádio no Maracanã. Para planejar o policiamento das partidas, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro utiliza as planilhas de previsão de público fornecidas pela administração do estádio.

Como as planilhas apresentavam números subdimensionados, o contingente de policiais e de agentes de segurança privada destacados para o Maracanã ficava abaixo do necessário. Isso gerou pontos de aglomeração perigosos, catracas travadas e aumento no risco de brigas nas entradas dos setores Norte e Sul.

A preocupação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro é evitar que acidentes graves ocorram nas rampas de acesso e nas arquibancadas devido ao excesso de torcedores empurrando as catracas sem a devida orientação policial.

Quem responde pela investigação do caso

O inquérito oficial foi notificado à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, aos dois clubes administradores e às empresas responsáveis pelo sistema de bilhetagem. Todos os envolvidos receberam ofícios com prazos para prestar esclarecimentos detalhados ao órgão fiscalizador.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro exigiu a entrega da lista completa com o número exato de bilhetes colocados à venda, quantidade de gratuidades liberadas, cortesias emitidas e total de acessos registrados pelas catracas eletrônicas em cada setor do Maracanã.

Caso as divergências entre os relatórios financeiros e os acessos físicos não sejam justificadas, os responsáveis podem responder por estelionato, falsidade ideológica e crimes contra a economia popular, além de sofrerem sanções administrativas severas.

O que muda para quem vai ao estádio

Para o torcedor comum que costuma acompanhar o time do coração no Maracanã, a rotina de acesso deve passar por fiscalizações mais severas nos próximos jogos. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro solicitou apoio aos órgãos de fiscalização da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro para conferir a contagem em tempo real.

A recomendação das autoridades é que o torcedor chegue com antecedência ao estádio para evitar filas maiores, já que as catracas devem passar por auditoria durante a validação dos bilhetes. Ingressos comprados fora dos canais oficiais ou com cambistas correm risco dobrado de bloqueio na entrada.

Quem constatar problemas de superlotação ou falhas graves de acesso dentro dos setores pode registrar reclamação formal junto aos canais de atendimento ao consumidor para instruir as novas etapas do inquérito civil.

Como denunciar irregularidades e venda ilegal

O cidadão que presenciar venda de ingressos falsos, atuação de cambistas ou superlotação no Maracanã pode fazer denúncias de forma totalmente anônima. O atendimento funciona durante todo o dia para receber informações sobre fraudes no futebol carioca.

  • Disque Denúncia do Rio de Janeiro: Telefone 2253-1177 (atendimento 24 horas por dia).
  • Aplicativo: Disque Denúncia RJ (disponível para celulares).
  • Delegacia de Polícia: O registro presencial pode ser feito na 18ª DP (Praça da Bandeira), responsável pela área do estádio, ou em qualquer Delegacia de Polícia Civil do estado.
  • Boletim Online: Casos de cobrança indevida ou fraude na compra de ingressos pela internet podem ser registrados no portal da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
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