O Ministério Público Federal (MPF) vai notificar a Prefeitura do Rio e a União para a retomada das obras da Estação Leopoldina, na Região Central. A decisão foi tomada após vistoria do procurador da República, Sérgio Suiama, que constatou que as atividades estão praticamente paralisadas.
“Nós estivemos ontem lá e foi informado que, da previsão de 37%, já haviam sido executados 28% da obra, mas percebemos que, apesar do contrato não ter sido rescindido, as obras estavam praticamente paradas. Poucos operários no local e quase nenhum serviço em andamento”, explicou Suiama ao jornal O Dia.
O procurador afirmou que a notificação será enviada na próxima segunda-feira (16), lembrando que existe um compromisso judicial firmado entre os órgãos para a revitalização do espaço. A expectativa é que as obras da Estação Leopoldina sejam concluídas até o segundo semestre de 2026.
A paralisação aconteceu devido à suspensão dos pagamentos à Concrejato, empresa responsável pela obra. Segundo a prefeitura, a decisão foi tomada após denúncias de supostas irregularidades trabalhistas e riscos à segurança dos funcionários. O prefeito Eduardo Paes afirmou, em rede social, que os repasses só serão retomados após a conclusão de uma apuração interna.
“O fato é que essa empresa tem um histórico de mortes. Recebi uma denúncia que relatei no post abaixo e temos que apurar. Terminada a apuração, voltaremos a pagar. Até lá é dura mesmo. E podem espernear à vontade”, declarou o prefeito.
Por outro lado, a Concrejato negou as acusações e disse que a paralisação foi fruto de uma negociação devido aos atrasos nos pagamentos, que não são feitos desde janeiro. A empresa também afirmou não ter qualquer pendência trabalhista e que foi absolvida no caso da ciclovia Tim Maia, usado como referência no debate.
Revitalização prevê nova Cidade do Samba e habitação social
O projeto de recuperação das obras da Estação Leopoldina inclui a construção da Cidade do Samba 2, destinada aos barracões das escolas da Série Ouro, além de empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, um centro de convenções e equipamentos sociais.
O prédio, tombado pelo Iphan, foi inaugurado em 1926 e operou até 2002, sendo uma referência do transporte ferroviário no Brasil, ligando o Rio a cidades de São Paulo, Minas Gerais e Petrópolis. A área, que hoje sofre com abandono e violência, será totalmente transformada com o novo plano urbanístico.














