MP deve denunciar Bruno Henrique por suspeita de fraude em aposta

Atacante Bruno Henrique do Flamengo

O Ministério Público do Distrito Federal deve apresentar, nas próximas semanas, uma denúncia formal contra o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, por suposta participação em um esquema de fraude em apostas esportivas. O caso envolve a acusação de que o jogador teria forçado um cartão amarelo durante partida contra o Santos, válida pela 31ª rodada do Brasileirão de 2023, para beneficiar apostadores.

A denúncia será baseada em um relatório de 84 páginas produzido pela Polícia Federal, que indiciou Bruno Henrique e outras nove pessoas, incluindo familiares e amigos próximos. O documento já foi entregue à Justiça e detalha a suposta operação envolvendo apostas específicas relacionadas ao comportamento do atleta em campo.

Denúncia de Bruno Henrique pode ser apresentada até maio

De acordo com fontes do MP, a expectativa é que a denúncia seja oferecida até o fim de abril ou início de maio. A partir daí, caberá à Justiça decidir se aceita a acusação, o que tornaria Bruno Henrique réu formal no processo.

O jogador e seu irmão, Wander Henrique, foram indiciados com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que trata da manipulação de resultados, e também por estelionato, com penas que, somadas, podem chegar a 11 anos de reclusão.

Família e amigos também foram indiciados

Além de Bruno e seu irmão, a esposa de Wander, Ludmylla Araújo Lima, e uma prima do jogador, Poliana Ester Nunes Cardoso, estão entre os indiciados. A lista inclui ainda seis amigos de Wander, todos acusados de apostar cientes da suposta fraude, aproveitando o conhecimento prévio de que Bruno Henrique receberia o cartão amarelo.

Segundo a PF, as apostas foram feitas antes da partida entre Flamengo e Santos, ocorrida em Brasília, local em que o Ministério Público do DF sustenta ter havido o crime. As investigações apontam movimentações financeiras suspeitas nas contas dos investigados, compatíveis com apostas direcionadas a eventos específicos da partida.

Bruno Henrique nega envolvimento

Bruno Henrique, por sua vez, nega qualquer irregularidade. O atacante afirma que o cartão recebido em campo não foi intencional nem vinculado a qualquer esquema de apostas. Desde que o relatório foi encaminhado à Justiça, ele ainda não se pronunciou publicamente sobre o indiciamento.

Em nota, o Clube de Regatas do Flamengo declarou que ainda não foi oficialmente comunicado pelas autoridades e reforçou que defende o princípio da presunção de inocência até que todas as instâncias legais sejam concluídas.

“O Flamengo não foi notificado pelas autoridades sobre qualquer procedimento envolvendo o atleta. O clube reafirma seu compromisso com a ética e aguarda os desdobramentos legais”, informou a assessoria rubro-negra.

Atleta segue à disposição do técnico

Apesar da repercussão do caso, Bruno Henrique segue relacionado para a partida desta quarta-feira (17) contra o Juventude, no Maracanã, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Internamente, o clube evita tratar o tema como resolvido e acompanha os desdobramentos jurídicos.

O atleta esteve recentemente em campo na derrota para o Central Córdoba, na fase de grupos da Libertadores, e ainda é peça importante no elenco comandado por Tite, embora a situação judicial traga incertezas sobre sua continuidade.

Caso reacende debate sobre apostas no futebol

O caso de Bruno Henrique é mais um episódio que reacende o debate sobre a relação entre futebol e apostas esportivas no Brasil. Com o crescimento das plataformas digitais e a popularização dos “palpites ao vivo”, eventos como cartões, escanteios e faltas cometidas se tornaram alvos de manipulações em potencial.

Especialistas e ex-jogadores têm alertado sobre a vulnerabilidade de atletas e pessoas do entorno a ofertas de dinheiro fácil, especialmente quando há influência de familiares ou terceiros em plataformas de apostas.

No Congresso, projetos de lei sobre regulamentação mais rígida das apostas esportivas voltaram à pauta, impulsionados pela série de investigações conduzidas em parceria entre o Ministério Público, Polícia Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

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