MP denuncia faccionados do CV por fuga em Mossoró

Parede com CV

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou 17 faccionados do CV suspeitos de terem colaborado com a fuga histórica da Penitenciária Federal de Mossoró, no interior do estado. Os acusados teriam prestado apoio direto a Deibson Cabral Nascimento, de 33 anos, e Rogério da Silva Mendonça, de 35, que escaparam da unidade prisional em fevereiro de 2024.

A fuga ocorreu no dia 14 daquele mês, quando os detentos abriram passagem por um buraco atrás de uma luminária e cortaram cercas de arame com ferramentas utilizadas em obras no local. Após 50 dias foragidos, eles foram recapturados em Marabá, no Pará.

Durante as buscas para localizar os fugitivos, a polícia encontrou indícios de que os acusados tinham funções estabelecidas dentro do Comando Vermelho, atuando em crimes como tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As descobertas foram feitas a partir da quebra de sigilo telefônico, buscas e apreensões autorizadas pela Justiça.

Mensagens trocadas em aplicativos de comunicação apontam que o grupo mantinha uma estrutura organizada, com repasses de ordens e orientações internas. Também foram localizados documentos digitais com ameaças, listas de “decretados” — indivíduos marcados para execução — e comunicados direcionados a diversas cidades do Rio Grande do Norte.

Segundo os investigadores, os conteúdos identificam uma ruptura entre o Comando Vermelho e a facção rival Sindicato do Crime (SDC), marcando o início de uma disputa violenta por domínio de território e controle de pontos de venda de drogas.

Entre os denunciados está Manoel Sebastião Bisneto, que se encontra preso. Em depoimento ao jornal Metrópoles, seu advogado, Taian Lima Silva, declarou: “Na nossa ótica, não há sequer um único indício de que ele seja membro de facção e iremos demonstrar durante o processo sua inocência”.

A operação que resultou na denúncia ocorreu em março deste ano e envolveu mais de 200 agentes. Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, 13 de prisão temporária e 31 de busca e apreensão, em três estados: Rio Grande do Norte, Ceará e Rio de Janeiro.

Além das prisões, a Polícia Federal determinou o bloqueio de 32 contas bancárias com objetivo de congelar até R$ 22,5 milhões em patrimônio relacionado aos investigados. O valor corresponde a movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada dos acusados.

As autoridades acreditam que a ação desarticulou parte da rede logística e financeira do Comando Vermelho na região. No entanto, as investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos, tanto na fuga quanto nas atividades criminosas coordenadas pelo grupo.

O caso é um dos maiores já registrados envolvendo o sistema penitenciário federal e evidencia a complexidade das organizações criminosas que atuam no país, especialmente no Norte e Nordeste. A Justiça ainda não definiu data para julgamento dos denunciados.

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