Motorista de aplicativo baleado na cabeça sangrou por seis horas, denuncia família

Enterro de Vagner Santos Ferreira

O caso do motorista de aplicativo baleado na cabeça durante uma corrida em Senador Camará, Zona Oeste do Rio, gerou revolta e comoção entre amigos e familiares. Vagner Santos Ferreira, de 36 anos, não resistiu ao ferimento e foi sepultado nesta quarta-feira (28), no Cemitério de Irajá, Zona Norte da capital. A família contesta a atuação da rede pública de saúde e denuncia que ele teria sangrado por mais de seis horas sem ser submetido a cirurgia.

“Meu irmão era um cara tranquilo, gentil com todo mundo. Todos os amigos e familiares vieram se despedir dele porque ele era muito querido. Morreu porque não foi socorrido como deveria. Ele ficou mais de seis horas sangrando e ninguém fez nada. Trataram como se fosse mais um que ia morrer. Essa é a verdade”, desabafou Vanderson Santos, irmão da vítima, durante o sepultamento.

Segundo a família, Vagner foi baleado durante uma tentativa de assalto enquanto fazia uma corrida. Bombeiros o levaram ao Hospital Municipal Albert Schweitzer (HMAS), em Realengo. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que ele recebeu todos os cuidados possíveis, mas, devido à gravidade da lesão, não havia chance de recuperação. No entanto, o atendimento gerou questionamentos.

Vagner foi transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas (HGEV), na Penha, para realizar uma tomografia, mas retornou ao HMAS por falta de equipamento adequado para seu peso. A Secretaria de Estado de Saúde afirmou que o HGEV não possui tomógrafo para pacientes superobesos e que notificará a regulação do município para evitar novos casos semelhantes.

O estudante de direito Ângelo da Silva, amigo da vítima e também motorista de aplicativo, detalhou o ocorrido. Segundo ele, Vagner havia buscado passageiras em Realengo e, após cerca de 6 km, foi alvejado com um disparo na cabeça. “Sabemos que a corrida foi solicitada por uma mulher, que já foi identificada pela polícia. Ele chegou com vida ao hospital, os bombeiros fizeram todo o suporte possível, mas no hospital ele ficou horas em uma maca, sem o atendimento necessário”, protestou.

Ainda de acordo com Ângelo, a indignação da família não se limita à perda, mas ao descaso com que o caso foi tratado. “Estamos transtornados. É inaceitável que um hospital transfira um paciente grave sem confirmar se o outro possui o equipamento necessário. Isso custou a vida do Vagner”, completou.

O caso está sendo investigado pelas autoridades. Os depoimentos colhidos por moradores indicam a presença de duas mulheres no veículo no momento do crime. A polícia já possui os dados do aplicativo para identificar os envolvidos.

A tragédia de Vagner escancara falhas no sistema de atendimento de urgência e levanta questionamentos sobre protocolos para pacientes em estado crítico, especialmente aqueles com necessidades específicas.

Limpatech