Motoboy preso por engano após reconhecimento por foto denuncia erro da polícia

Guilherme Fernando

O caso do motoboy preso por engano no Rio de Janeiro ganhou novos desdobramentos após a defesa de Guilherme Fernando da Conceição Gomes apresentar imagens de câmeras de segurança que, segundo os advogados, mostram que ele estava longe da cena de uma tentativa de assalto no momento do crime.

Guilherme, de 33 anos, foi preso no último domingo (3) enquanto recebia atendimento no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio. Segundo a polícia, ele teria sido reconhecido por vítimas de uma tentativa de assalto ocorrida na Tijuca, Zona Norte da cidade.

De acordo com o registro da ocorrência, um policial militar sofreu uma tentativa de assalto praticada por dois homens em uma motocicleta na Rua Pareto, próximo à UPA da Tijuca, por volta das 11h45. Houve troca de tiros e um dos suspeitos morreu após ser encontrado ferido na entrada da unidade de saúde. O segundo envolvido teria fugido.

A defesa de Guilherme afirma que ele sofreu uma queda de moto por volta das 6h da manhã do mesmo dia. Mesmo machucado, teria voltado para casa e, horas depois, decidiu procurar atendimento médico por conta das dores no braço.

Segundo a advogada Yara Moraes, no horário do crime o motoboy estava em um ponto de ônibus no Rio Comprido, acompanhado da esposa, a caminho do Hospital Miguel Couto.

Imagens de câmeras de segurança obtidas pela defesa mostram Guilherme e a mulher caminhando pela Rua do Bispo e pela Avenida Paulo de Frontin às 11h34 do domingo, minutos antes do horário da tentativa de assalto na Tijuca. Nas imagens, ele aparece com o braço lesionado apoiado por dentro do casaco.

A defesa também apresentou registros no celular da esposa do motoboy. Segundo a advogada, há uma busca de rota para o Hospital Miguel Couto realizada às 11h38, além de mensagens pedindo dinheiro para transporte por aplicativo às 11h45, devido à demora do ônibus.

Ainda conforme a defesa, um policial teria tirado uma foto de Guilherme dentro do hospital enquanto ele aguardava atendimento. A imagem teria sido enviada para as vítimas do assalto, que inicialmente não o reconheceram. Depois, familiares que estavam no carro durante o crime afirmaram que ele seria um dos envolvidos.

A advogada questiona a legalidade do reconhecimento e afirma que o procedimento foi irregular.

“Guilherme não foi ouvido na delegacia, a mulher dele também não. A polícia não fez nenhum tipo de investigação – mesmo com ele dizendo que não estava no local”, afirmou Yara Moraes.

Segundo ela, o policial responsável pela fotografia não foi identificado oficialmente no registro de ocorrência e a imagem usada para o reconhecimento também não teria sido anexada ao processo.

A defesa também aponta que outro homem baleado deu entrada no Hospital Miguel Couto no mesmo horário e teria alegado ter sofrido uma queda de moto na região onde ocorreu o assalto. Segundo os advogados, esse paciente seria o verdadeiro suspeito do crime.

Atualmente, Guilherme segue preso e responde pelo caso após ter a prisão mantida em audiência de custódia. A defesa afirma que ele está emocionalmente abalado e se sente injustiçado diante da situação.

Em nota, a Polícia Civil informou que o homem foi conduzido à 19ª DP (Tijuca) por policiais militares e reconhecido por três vítimas como autor da tentativa de roubo. A corporação afirmou ainda que ele foi assistido por advogados durante o processo e optou por não prestar depoimento.

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